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EUA consideram permitir que gripe aviária se espalhe, enquanto Brasil mantém medidas de biossegurança


Estratégia proposta nos EUA gera preocupações quanto aos impactos na avicultura e no bem-estar animal
Ideia contrasta com uma série de medidas e esforços financeiros de mais de US$ 1 bilhão que vêm sendo anunciados pelo USDA. Foto: Ricardo Padue/Ed.Globo Por: Editorial | 24/03/2025 08:55

Nos Estados Unidos, o surto de gripe aviária ganhou uma nova proposta de abordagem do secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr. Ele sugeriu que as autoridades permitissem que o vírus se espalhasse entre os rebanhos, a fim de identificar aves imunes à doença. A ideia gerou polêmica entre especialistas, que alertam para os graves riscos à avicultura, ao bem-estar animal e à saúde pública, caso essa estratégia fosse adotada.

A proposta de Kennedy Jr. entra em contraste com as medidas tradicionais de controle da doença, como o investimento de mais de US$ 1 bilhão pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para conter a disseminação da gripe aviária. Especialistas como Greg D. Tyler, presidente do Conselho de Exportadores de Frango e Ovos dos EUA (USAPEEC), afirmam que tal medida provocaria uma queda drástica nas exportações de carne de frango e ovos, além de permitir que fazendas infectadas se tornassem "fábricas de vírus", colocando em risco os trabalhadores do setor e o bem-estar das aves.

No Brasil, o risco de contágio com a cepa H7N9, recém-descoberta nos EUA, é considerado menor devido à ausência de registros de gripe aviária em granjas industriais. A estratégia de biosseguridade segue sendo a principal medida adotada, com vigilância redobrada nas granjas e controle rigoroso para evitar a entrada da doença. Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), reforçou que as práticas de controle no Brasil permanecem consistentes, mesmo diante do cenário nos Estados Unidos.

O especialista da Embrapa, Luizinho Caron, destaca que, embora a cepa H7N9 afete mais os seres humanos, a cepa H5N1, que já circula no Brasil, é mais rápida e afeta uma maior variedade de espécies. Apesar do risco reduzido de a cepa H7N9 atingir o Brasil, a proposta de permitir a propagação do vírus, como sugerido por autoridades americanas, é vista com grande ceticismo no país. Caron alerta que isso poderia causar um colapso na cadeia de abastecimento de carne de frango e ovos, prejudicando gravemente a segurança alimentar e econômica. (Com informações Globo Rural)




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