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O nó da crise: há ministros do STF (ainda) preocupados com risco de golpe


Desconfiança sobre insubordinação militar e críticas à "fraqueza" do ministro da Defesa: nos bastidores, os sinais de que a crise não acabou
Igo Estrela/Metrópoles Por: | 28/05/2023 18:08

Para além da inação das forças de segurança do Distrito Federal nos atos terroristas deste domingo, chamou atenção a tardia atuação do Batalhão da Guarda Presidencial, unidade do Exército cuja tarefa precípua é proteger os palácios presidenciais.

Em circunstâncias normais de temperatura e pressão, era de se esperar que homens do BGP, como é conhecido o batalhão, organizassem em tempo hábil barreiras de proteção em torno do Planalto, invadido e depredado por radicais bolsonaristas. A medida poderia ter ao menos atenuado a sanha dos invasores.

Na tarde desta segunda-feira, a coluna enviou perguntas ao Exército e à Presidência da República sobre o tema, mas não houve resposta. Extraoficialmente, a Presidência sugeriu que as indagações fossem feitas diretamente ao Exército. Sintomático. O Exército não respondeu.

A demora na entrada do BGP em cena é mais um dos muitos fatores a serem esclarecidos nas investigações sobre os ataques, mas nos bastidores de Brasília tem sido ponto de partida para uma série de questionamentos que avançam até para o grau de obediência do atual comando do Exército ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Não é algo trivial. Para se ter uma ideia, na tarde desta segunda-feira havia ministros do STF ainda preocupados com o risco de uma ruptura institucional.

O comandante
O novo comandante do Exército, general Júlio Cesar de Arruda, foi nomeado por Jair Bolsonaro em seus últimos dias como presidente, mas teoricamente já chancelado por Lula e por seu ministro da Defesa, José Múcio Monteiro. Teoricamente. Há quem diga que o nome foi imposto pela própria força. O preferido de alas relevantes do novo governo era outro, o general Tomás Miguel Paiva, tido como alguém de perfil mais moderado.

A se considerar a ordem de antiguidade, depois de Marco Antônio Freire Gomes, o último comandante do governo Bolsonaro, Arruda era o próximo na fila para chefiar a corporação. Publicamente, José Múcio Monteiro chegou a dizer que o escolheu “pela internet”, num esforço retórico para passar a mensagem de que tomou a decisão respeitando o critério de antiguidade da caserna.

Temor de golpe

Das conversas que tiveram com gente do Executivo, incluindo o próprio Lula, ministros do STF saíram com a impressão de que há um desacerto em curso entre os comandos militares — especialmente o do Exército — e o presidente da República, que para eles estaria minimizando o problema para não aprofundar a crise.

A leitura dessa mesma ala do STF é a de que a tragédia de domingo ainda não terminou. Parece absurdo, mas entre os onze da Suprema Corte há quem esteja preocupado — ainda — com o risco de golpe. O drama de domingo ainda não terminou. (metropoles)




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