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Por: | 28/05/2023 18:08
O real foi a moeda mais desvalorizada em um levantamento que comparou dinheiro de 15 países diferentes em relação ao dólar. De janeiro a setembro, a divisa brasileira acumulou perda de 39,59%, desempenho ruim explicado tanto pelos problemas domésticos como pelo risco fiscal.
Uma pesquisa realizada pelo jornal paranaense Gazeta do Povo. Em segundo lugar no ranking aparece a lira turca (-29,76%), o peso argentino (-27,69%) e o rublo russo (-25,24%).
Foram considerados moedas moedas de países emergentes como algumas das principais, por exemplo, o Euro e a Libra. E na lista de resultados negativos, os menos piores foram o yuan chinês (2,44%) e o iene japonês (2,92%).
O euro (com alta de 4,35% no ano) e o franco suíço (4,90%) foram as únicas que tiveram valorização em relação ao dólar. Conforme o jornal paranaense, a libra esterlina também supera a moeda norte-americana, mas teve a perda de valor ao longo dos nove primeiros meses de 2020.
Conforme o economista de Mato Grosso do Sul Márcio Coutinho, a lógica por trás da super valorização do dólar é complexa, mas em resumo, o preço de qualquer produto sobe quando existe muita procura e pouca oferta disponível no mercado.
“No caso do câmbio, os detentores do dinheiro e dos recursos, em momentos de incerteza como durante uma pandemia, costumam procurar um porto seguro, que é o dólar: moeda vinculada à maior economia do mundo. Desde quando o novo coronavírus começou a espalhar, houve uma retração econômica mundial e os investidores procuraram a segurança nessa moeda ”, afirma Coutinho ao Correio do Estado.
O problema, continua o economista, é que o Brasil não é capaz de oferecer essa segurança. A partir daí é natural que haja retirada de recursos do país em busca de melhores opções para manter a rentabilidade. “Eu acredito que o governo poderia ter interferido para tentar fazer o dólar, mas não foi capaz de conter a explosão”, completa.
Além disso, o risco fiscal brasileiro teve um impacto negativo diminuído durante a pandemia, já que o país optou em aumentar os gastos na tentativa de conter a crise sanitária e ajudar a população a superar o isolamento social, como na concessão do auxílio emergencial e liberação de saques do FGTS.
Outro ponto a se considerar, é a taxa de juros rebaixada ao menor patamar da história. Isso fez com que investidores que aplicaram em moeda norte-americana para se beneficiar dos juros mais altos optassem em fazer o caminho inverso.
Ao Correio do Estado, Márcio Coutinho explica que para que o real volte a subir, é preciso que entre mais dólares no país, ou então outras moedas estrangeiras, como o Euro.
“E por que as pessoas comprariam reais? Um dos motivos seria para investir no país e isso só vai acontecer, no meu ponto de vista, quando os detentores de recurso perceberem que é o momento, que tem tranquilidade tanto econômica quanto política e jurídica. Se o país mostrar para o mundo que estamos com as nossas contas em ordem ou encaminhadas, e que também existe uma situação política estável, aí os recursos vem para cá e a tendência é a valorização ”, completa.
Não há como prever uma data para que o real retroceda em relação ao dinheiro norte-americano. A depender das projeções e seleção no mercado financeiro, por enquanto, a situação deve continuar do jeito que está, já que os riscos fiscais devem manter o câmbio depreciado.
Correio Do Estado