Texto/Julio Cezar/16-10-2020
A denúncia feita ao Superior Tribunal de Justiça (STF) pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o governador do estado de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, pede a perda dos cargos públicos ocupados, não só do governador como também do deputado estadual Zé Teixeira e do conselheiro estadual de contas Márcio Monteiro, que também foram denunciados. A denúncia pede a condenação de Reinaldo e do filho, Rodrigo Azambuja, pelos crimes de líder de organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Reinaldo, Rodrigo e o empresário João Baird foram denunciado 60 vezes somente pelo crime de lavagem de dinheiro.
O pagamento do valor de R$ 277,541 milhões também foi requerido na denúncia, pela acusação de danos morais coletivos. Sendo desse montante, R$ 67,791 milhões relativos ao recebimento de propinas por parte de Reinaldo entre os anos de 2014 e 2016, e os outros R$ 209,7 milhões relacionados às renúncias fiscais que foram concedidas pelo governador à empresa JBS.
A Operação Vostok da Polícia Federal chegou a 24 nomes envolvidos no caso de corrupção e que fazem parte da denúncia do MPF, vários dos denunciados são políticos de Mato Grosso do Sul.
Confira a lista com os 24 denunciados:
- Reinaldo Azambuja Silva – Governador de Mato Grosso do Sul reeleito para seu segundo mandato em 2018. Acusado 60 vezes na denúncia por lavagem de dinheiro, além de corrupção passiva e por liderar organização criminosa.
- Rodrigo de Souza e Silva – filho do governador Reinaldo Azambuja, é também acusado pelos três promotores do Patrimônio Público de Campo Grande, Adriano Lobo Viana de Resende, Marcos Alex Vera de Oliveira e Humberto Lapa Ferri por ser o mandante de um roubo de propina que deu errado e por ter supostamente encomendado uma execução.
- João Roberto Baird – Dono de empresa de informática em Mato Grosso do Sul e pecuarista, Baird é investigado na Operação Lama Asfáltica e teriam também lavado dinheiro de propina no Paraguai, segundo as investigações.
- José Roberto Teixeira – Deputado Estadual pelo DEM e primeiro-secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.
- Marcio Campo Monteiro – Conselheiro Estadual de Contas de Mato Grosso do Sul, ex-deputado estadual e ex-secretário de finanças, apontado como responsável por parte das tratativas.
- Nelson Cintra Ribeiro – ex-secretário estadual de Turismo de Reinaldo Azambuja e ex-prefeito de Porto Murtinho. Pecuarista, teria emitido notas acima dos R$ 296 mil, mas garante que vendeu o gado para o abate e que já regularizou a situação junto à Receita Federal.
- Osvane Aparecido Ramos – ex-deputado estadual, tem fazenda em Dois Irmãos do Buriti e teria emitido notas de R$ 847 mil à JBS.
- Zelito Alves Ribeiro – Pecuarista, é ex-coordenador regional do governo tucano, responsável pela interlocução de alguns municípios com o Parque dos Poderes, e teria emitido notas fiscais para a JBS que somam pouco mais de R$ 1,7 milhão e que seriam frias, usadas para, segundo a delação da multinacional, esquentar a propina paga a integrantes da atual gestão do Governo do Estado.
- Élvio Rodrigues – Dono da Fazenda Santa Maria, em Corumbá, esteve com o advogado Gustavo Passareli, do mesmo escritório que também acompanhou o irmão do governador Reinaldo Azambuja, Roberto Oliveira Silva, conhecido como Beto Azambuja, em depoimento na terça. Élvio teria usado dinheiro de propina para comprar as terras, segundo a investigação.
- Francisco Carlos Freire de Oliveira – Pecuarista que, segundo os depoimentos dos irmãos Wesley e Joesley Batista, teria emitido R$ 583 mil em notas fiscais falsas, em 3 de novembro de 2016.
- Ivanildo da Cunha Miranda – Delator da Operação Lama Asfáltica, procurou a Polícia Federal em 2017 com intuito de celebrar o acordo. É apontado como suposto operador das propinas envolvendo o ex-governador André Puccinelli no esquema. Ele relatou à Polícia que recebia entre os anos de 2007 a 2010 valores mensais entre R$ 60 mil a R$ 80 mil, e após 2011 até 2013, esse valor, em alguns meses, chegava a R$ 220 mil.
- Cristiane Andréia de Carvalho dos Santos Barbosa – Chefe de gabinete de Reinaldo Azambuja, acusada de ser responsável pelo recebimento de parte das propinas. Teve aumento salarial significativo na segunda gestão de Reinaldo, após deflagração da Vostok.
- Miltro Rodrigues Pereira – Da Agropecuária Duas Irmãs, é acusado de emitir notas frias no valor de R$ 1.032.229,80, supostamente transferidos ao governador Reinaldo Azambuja, segundo decisão pela prisão dele no ano passado assinada pelo ministro Félix Fischer.
- Daniel de Souza Ferreira – Administrador da Pecuária Duas Irmãs, acusado de emitir notas frias
- Rubens Massahiro Matsuda – Dono da Safra Agropecuária, de Dois Irmãos do Buriti, que teria emitido R$ 383 mil em notas frias.
- Pavel Chramosta – dono do Frigorífico Buriti, em Aquidauana. É apontado como o maior emissor de notas do suposto esquema, somando R$ 12,9 milhões em notas sob suspeita emitidas entre março e julho de 2015. Os delatores indicaram pagamentos a Reinaldo Azambuja por notas frias, além da entrega de R$ 10 milhões em mãos.
- Daniel Chramosta – Filho de Pavel, é diretor da Buriti Comércio de Carnes, que também fica em Aquidauana. Junto com o pai, comanda a distribuidora de alimentos na cidade.
- José Ricardo Guitti Guímaro, o Polaco – Responsável por receber a propina entre pecuaristas.
- Gabriela de Azambuja Silva Miranda – Sobrinha de Reinaldo Azambuja.
- Leo Renato Miranda – Cunhado de Reinaldo Azambuja e pai de Gabriela.
- Roberto de Oliveira Silva Junior – Irmão de Reinaldo Azambuja.
- Antônio Celso Cortez – Empresário, dono da Mil Tec Tecnologia e da PSG Tecnologia da Informação.
- Joesley e Wesley Batista – Proprietários da JBS. Foram incluídos na denúncia por decisão da PGR, que sustenta que os empresários descumpriram cláusulas da delação premiada que implicou Reinaldo Azambuja.
Segundo Wesley Batista o acordo entre Reinaldo Azambuja e a empresa JBS era que após vencer as eleições Reinaldo concederia isenções fiscais a empresa em troca de um adiantamento de propinas futuras, um total de R$ 27.109.107,87 em valores atualizados.
Esse valor, que foi doado pela empresa à campanha do até então candidato a governador, foi lançado em uma conta corrente mantida entre a JBS e o Governo do Estado do Mato Grosso do Sul, a propina foi abatida do total desse dinheiro, sendo um percentual de 30% ao mês, em troca Reinaldo concedeu os benefícios ficais a empresa JBS.
Reinaldo continuou recebendo os pagamentos até o ano de 2016 somando mais de setenta milhões em propinas recebidas.
Fora o dinheiro doado a campanha Reinaldo também recebeu cerca de R$ 33,5 milhões através de notas ficais fraudulentas geradas por empresas indicadas pelo próprio governador e mais R$ 20 milhões que foram entreguem em espécie.
(Com informações do site MidiaMax)
Portal Do Conesul