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Tráfico internacional


Operações na fronteira com o Paraguai fazem crime organizado mudar modus operandi e Dourados vira a
Foto: Divulgação Por: | 28/05/2023 18:08

Dourados se tornou a ‘menina dos olhos’ para o tráfico internacional de drogas nos últimos meses de pandemia da Covid-19, ou seja, os traficantes estão escolhendo e fazendo do município, o depósito para os entorpecentes que, geralmente, saem do Paraguai, passam por Ponta Porã e seguem para grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e até mesmo o Rio Grande do Sul.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu nos primeiros dez meses de 2020, mais de 300 toneladas de drogas, o que representa aumento de 300% em relação a 2019. "Dourados tem se tornado ponto estratégico para os traficantes, e isso se deve ao policiamento intensivo que a Polícia Nacional do Paraguai tem desenvolvido. Antes, a droga apenas passava por Dourados, agora é entreposto, visto que a droga não tem mais condições de ficar no país vizinho, ou em Ponta Porã", afirmou o inspetor da PRF ao O PROGRESSO, Waldir Brasil.

Alguns fatores têm contribuído para o aumento das apreensões, e merecem destaque o crescimento de área da plantação da maconha no Paraguai que, segundo o inspetor Brasil, ‘invade’ propriedades rurais e intimidam os produtores, os obrigando a não denunciarem. "Temos conhecimento de fazendeiros que têm sua propriedade invadida pelos traficantes, que plantam maconha e são ameaçados, não podem denunciar, precisam acatar", revela o inspetor.

Em Dourados, entre as apreensões realizadas ao longo de 2020, ao menos duas chamam atenção. Em 1 de outubro, ação conjunta da PRF e Polícia Civil ‘estouraram’ um entreposto do tráfico que ficava próximo ao Trevo da Bandeira, na saída para Caarapó. Na ocasião foram apreendidos 11 toneladas de maconha escondidas em uma carreta Scânia G420 carregada com soja. Cinco pessoas acabaram presas.

Dias antes, em 22 de setembro, policiais do Setor de Investigações Gerais (SIG) também haviam fechado outro depósito de drogas que funcionava aos fundos de uma igreja evangélica – que não tem ligação alguma com o caso -numa casa edícula, no bairro Jardim Novo Horizonte. Os policiais monitoraram o local e apreenderam 980 quilos de maconha, além de um carro Ford Fiesta.

Rodolfo Daltro, delegado do SIG de Dourados, também conversou com O PROGRESSO e destacou que a cidade tem, de fato, se tornado ponto de parada da droga que sai do Paraguai, e que os traficantes escolhem bairros periféricos e oferecem dinheiro aos moradores da região para que a droga seja escondida.

"O SIG apreendeu quatro toneladas de drogas e os trabalhos para que Dourados não se torne definitivamente depósito de entorpecentes, tem se intensificados com operações de repressão ao crime organizado. Vale ressaltar que tudo começa em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, e em Dourados, apesar dos entrepostos se instalarem na periferia, não há uma região exata.

Onde o traficante vê oportunidade, ele fica", pontuou o delegado.

Neste caso específico, o prejuízo estimado ao tráfico de drogas é de R$ 12 milhões, considerando que o quilo da droga pode chegar a R$ 300,00.

Dourados é ponto estratégico

Tanto o inspetor da PRF, quanto o delegado, afirmaram que a droga entra no Brasil, e consequentemente em Dourados, por vias terrestres. Segundo Brasil, os criminosos tentam passar a droga em caminhões carregados com milho, soja e até aveia, e seguem para o Sul do país, e de lá, destinam os ilícitos ao países como Argentina e Uruguai. "Até Dourados a droga entra em caminhões, mas daqui, segue para o Rio Grande do Sul, em alguns casos ainda nesses caminhões amarrotados de droga, mas também em carros pequenos [de passeios]. No entanto, além dos grandes centros que recebem esses ilícitos, há facções comandando a venda em países como Dubai, Argentina e Uruguai", concluiu.

 

Dourados Agora



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