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Foto: Divulgação/veja
Por: Walter Azzolini | 02/07/2023 13:59
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva completa seis meses de mandato neste sábado (1º) com a marca de visitas a 12 países. Uma agenda que, na avaliação de especialistas ouvidos pelo g1, buscou retomar a tradição da política externa de diálogo com diferentes países e organismos, a fim de recolocar o Brasil nas principais discussões do cenário internacional.
A cúpula de Macron e as 'alfinetadas' de Lula
Lula foi recebido, por exemplo, pelos presidentes Joe Biden (Estados Unidos), Xi Jinping (China) e Emmanuel Macron (França) e pelos primeiros-ministros Rishi Sunak (Reino Unido) e Fumio Kishida (Japão). Abordou nas viagens uma série de temas, entre os quais, a redução da desigualdade, o combate à extrema-direita e o financiamento de ações de preservação ambiental.
O presidente também sugeriu a criação de um grupo de países para intermediar o fim da guerra na Ucrânia. Suas posições, contudo, foram consideradas benevolentes com a Rússia e renderam críticas de especialistas e de líderes políticos, inclusive do governo dos EUA.
Com agendas em 12 países em seis meses, Lula igualou a marca do segundo mandato presidencial (2007-2010) e superou as nove visitas do primeiro (2003-2006). Nesta semana, o petista abrirá o segundo semestre com mais duas viagens:
Lula concentrou metade das viagens na Europa, visitou três países da Ásia e três da América. Na avaliação de especialistas em relações internacionais, a frequência das viagens e os destinos demonstram o esforço para reverter o isolamento do governo de Jair Bolsonaro (2019-2022).
O período foi marcado por atritos com parceiros importantes (China, França, Alemanha e Argentina), e pelo alinhamento aos EUA que durou até o final da gestão de Donald Trump.
Para Lia Valls Pereira, pesquisadora associada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE/FGV), Lula mostrou estar disposto a dialogar sem alinhamentos automáticos em um mundo no qual EUA e China disputam influência.
Eventuais ganhos financeiros poderão vir ao longo do mandato, mas dependem de estabilidade política, segurança jurídica e perspectiva de crescimento econômico.
"O governo anterior tinha a defesa do Brasil ser um pária. O Brasil sempre teve uma posição de multilateralismo. É um gesto político importante recuperar o papel do Brasil nesta agenda internacional”, afirma Pereira.
O efeito da posição pôde ser visto nos convites que levaram Lula à cúpula que discutiu um pacto financeiro, na França, e à reunião do G7, no Japão. O Brasil ficou 14 anos sem participar do encontro do bloco formado por Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido, além da União Europeia.
"Lula restabeleceu o relacionamento ativo, construtivo e positivo com parceiros estratégicos. O Brasil tem cinco parceiros verdadeiramente estratégicos: Argentina, EUA, Alemanha e França, e China", avalia o diplomata aposentado Roberto Abdenur, ex-embaixador nos EUA e China. (g1)
