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Empresário de MS foi executado "por causa de política"


Ela não sabia que Jair recebeu ameaças e registrou boletim de ocorrência
O corpo de Jair, ao lado de sua van (Foto: Divulgação) Por: Walter Azzolini | 29/07/2023 13:21

"Lá é diferente. Você não pode falar nada", diz Ana Lúcia dos Santos, 33, ao descrever Canhotinho, município do Agreste de Pernambuco onde o marido, José Jair Dionísio, 35, foi morto a tiros na última segunda-feira (24). Ela acredita que o crime foi uma execução motivada "por política". 

Jair, como era mais conhecido, morava em Rio Brilhante, em Mato Grosso do Sul, com Ana e os dois filhos. O casal tinha uma van e fazia transporte de passageiros entre municípios sul-mato-grossenses e do Nordeste, além de fazer paradas em cidades do Centro-Oeste.

O lugar que o motorista mais gostava de ir à trabalho era justamente Canhotinho, onde fica o distrito que nasceu, Paquevira. "Ele queria ver bem o lugar onde ele foi criado. Por isso, percorria as ruas para ver como estava e fazia vários posts contra os políticos", conta Ana Lúcia. 

As publicações no perfil pessoal do empresário de turismo, no Facebook, fazem críticas à gestão da cidade. Mostram, por exemplo, uma obra cuja placa não dá detalhes sobre a empresa contratada e ruas não pavimentadas e com lixo acumulado. Além disso, durante as últimas eleições, ele adesivou a van com foto do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e falou de outros candidatos. 

Ela acredita que as críticas desagradaram "os políticos" da região, ainda mais porque Jair era ligado a parlamentares do município. Lembra do caso do vice-prefeito, Erinaldo Santos, que também foi morto a tiros em Canhotinho. O caso aconteceu em 2020. "Executaram ele. Essas coisas sempre acontecem lá", diz Ana Lúcia.

Ameaças - A esposa não desconfiava, mas soube junto à polícia que o marido vinha recebendo ameaças e chegou a registrar um boletim de ocorrência. "Ele não me contou. Só que, eu e a mãe dele falávamos para ele ter cuidado. O Jair dizia para nós: 'oxe, eu me garanto'", lembra. 

"Ameaçavam falando 'sua mãe vai chorar' e 'não se preocupa não com a viúva, que dela eu vou cuidar'. Se ele tivesse parado por aí, isso não teria acontecido", lamenta Ana. O relato está no boletim de ocorrência que ela teve acesso. (cgnews)




Diário do Interior MS
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