| Hoje é Terça-feira, 05 de Maio de 2026.

Semana desafiadora para Lula e complicações para Bolsonaro mudam o foco


Hugo Barreto/Metrópoles Por: Walter Azzolini | 20/08/2023 13:05

A semana foi repleta de desafios para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com más notícias, como o aumento nos preços da gasolina e do diesel. No entanto, as revelações que complicaram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desviaram o foco da atenção midiática, gerando alívio e euforia entre os aliados de Lula.

Conforme informações do jornal metrópoles, até os ministros de Lula não conseguiram esconder a empolgação com as dificuldades enfrentadas por Bolsonaro, usando a oportunidade para alfinetar publicamente o ex-presidente. Alexandre Padilha, responsável pelas Relações Institucionais, enfrenta a tarefa de lidar com uma reforma ministerial complexa, mas encontrou tempo para celebrar as acusações do hacker Walter Delgatti Neto contra Bolsonaro na CPMI dos atos golpistas de 8 de janeiro.

De seu gabinete no Palácio do Planalto, um sorridente Padilha gravou e compartilhou um vídeo nas redes sociais, incentivando as pessoas a assistirem à sessão da CPMI. Mais tarde, o ministro postou novamente, comemorando as acusações do "hacker da Vaza Jato" e mencionando a possível confissão de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, no caso da venda de joias – confissão que foi confirmada e negada por vezes pelo advogado de Cid.

"Cada vez mais, percebemos que as malas que Cid carregava para Bolsonaro estavam cheias de joias, contrabando e dinheiro irregular", acusou o ministro responsável pela articulação política do governo.

Simone Tebet, ministra do Planejamento, aproveitou parte de seu discurso na posse do economista Márcio Pochmann como presidente do IBGE para comentar sobre as investigações e acusações contra Bolsonaro. "Podemos dizer que o cerco está se fechando contra o ex-presidente", declarou Tebet, ao lado de Lula, que não fez discurso.

Também em conversas nos bastidores, aliados e auxiliares de Lula reconhecem que as adversidades enfrentadas por Bolsonaro são um alívio bem-vindo para o governo em um momento tumultuado.

Ao longo da semana, Bolsonaro viu aumentar a pressão judicial sobre ele desde sua saída do cargo. A defesa de Mauro Cid indicou que o ex-ajudante de ordens pode implicar diretamente Bolsonaro no caso da venda de relógios e joias que foram considerados patrimônio público pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Além disso, o hacker Walter Delgatti Neto afirmou na CPMI que Bolsonaro pediu sua ajuda em um plano para desacreditar as urnas eletrônicas e colaborar com as Forças Armadas na contestação ao sistema eleitoral. Alegadamente, o ex-presidente ainda teria prometido indulto em caso de problemas judiciais.

Bolsonaro nega irregularidades, mas seu círculo próximo já expressa o temor de que essa pressão judicial possa levar à prisão do ex-presidente.

As Adversidades que Afetaram o Governo

Dois eventos recentes tiveram um grande impacto na percepção pública sobre o governo e preocuparam o Palácio do Planalto nos últimos dias. Primeiramente, o reajuste nos preços dos combustíveis, anunciado pela Petrobras na terça-feira (15/8), gerou críticas. O preço médio da gasolina para distribuidoras aumentou R$ 0,41 por litro, chegando a R$ 2,93. Para o diesel, o aumento foi de R$ 0,78 por litro. Embora o governo tenha conseguido reduzir o preço dos combustíveis em duas ocasiões após mudar a política de preços da petroleira, a necessidade de reajuste se impôs para evitar problemas de abastecimento.

Na terça-feira, também ocorreu um apagão no sistema elétrico que afetou quase todo o país, deixando quase 30 milhões de pessoas sem energia por algum tempo. As causas do incidente ainda estão sendo investigadas, mas o evento trouxe à tona lembranças de crises energéticas do passado e deu munição à oposição para criticar o governo.

Disputa de Poder com Arthur Lira

Além das dificuldades imediatas, o governo de Lula está envolvido em uma disputa de poder com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Lula e Lira haviam acordado que o Centrão, formado pelos partidos PP e Republicanos, ganharia maior espaço no governo, com cargos de destaque na Esplanada dos Ministérios.

No entanto, a reforma ministerial está se arrastando enquanto as negociações políticas tentam determinar a proporção de poder de cada lado no acordo. A estratégia de Lula de ganhar tempo tinha surtido efeito até que Lira usou uma entrevista em que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou a Câmara como oportunidade para recuperar terreno.

Haddad, em entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo, criticou o poder excessivo da Câmara, o que levou Lira a cancelar a reunião de líderes que estava planejada para definir a votação do novo marco fiscal, adiando uma pauta crucial para o governo.

Com Lula iniciando a semana com viagens internacionais para países africanos, a resolução dessa disputa com Lira provavelmente será adiada por mais alguns dias.

O Alívio para o Governo Lula

Além dos problemas enfrentados por Bolsonaro, o governo Lula comemorou, na semana passada, os resultados mais recentes da pesquisa Quaest sobre aprovação e desaprovação da gestão. De acordo com a pesquisa, a aprovação do governo Lula alcançou 60%, o maior percentual em seus oito meses de mandato, representando um aumento de quatro pontos em relação à pesquisa anterior, realizada em junho.

O ponto mais baixo da avaliação do governo Lula, de acordo com a Quaest, foi em abril, quando a aprovação atingiu 51%.

Os auxiliares de Lula atribuem a melhoria ao fortalecimento contínuo de programas sociais, como o MInha Casa MInha Vida e o aumento do salário mínimo. 




Diário do Interior MS
NAVIRAÍ MS
CNPJ: 30.035.215/0001-09
E-MAIL: diariodointeriorms1@gmail.com
Siga-nos nas redes Sociais: