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Loja acusa menino de furtar bolacha e família denuncia racismo


Reprodução/SBT News Por: Editorial | 28/08/2024 11:02

Na última quinta-feira (22), uma loja de doces em Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo, foi acusada de racismo após um incidente envolvendo um menino de 7 anos. Segundo a família do garoto, ele foi erroneamente acusado de furtar um pacote de bolacha enquanto estava na loja com a mãe, que fazia compras para o aniversário do filho.

De acordo com o relato da família, o gerente do estabelecimento abordou-os afirmando que havia visto o menino pegar o produto. No entanto, após revisar as imagens das câmeras de segurança, o gerente não encontrou evidências de furto. Um vídeo gravado pela mãe do menino mostra o garoto, visivelmente assustado, afirmando: "Eu não roubei nada."

Após o ocorrido, o gerente se desculpou pelo mal-entendido. A mãe do menino, Giovanna Oliveira, expressou seu descontentamento nas redes sociais e anunciou que pretende processar a loja, identificada como Magic Doces, por racismo. A loja, por sua vez, publicou uma nota afirmando que não tolera discriminação e preconceito, mas desativou seus perfis nas redes sociais após receber críticas.

Giovanna Oliveira, que estava no local para comprar itens para o aniversário do filho, descreveu a experiência como uma clara demonstração de preconceito. "Somos negros, mas somos honestos. Isso foi racismo, preconceito", declarou em suas redes sociais.

Reação Jurídica

O advogado José Luiz de Oliveira Júnior, que está representando a família, comentou o caso em entrevista ao vivo para o programa Primeiro Impacto. Oliveira Júnior destacou a importância de utilizar decisões judiciais históricas para lidar com casos de discriminação racial no cotidiano. "A gente sente isso na pele, e mesmo quem não é negro também sente, porque já estamos cansados desse tipo de atitude. As empresas precisam de pessoas mais qualificadas para lidar com essas situações", afirmou.

Sobre a crescente quantidade de denúncias de racismo, o advogado observou que o Brasil carrega uma "herança maldita" de escravidão que moldou seu sistema econômico e social. "Infelizmente, ainda há uma percepção errônea de que essas questões são do passado. Precisamos continuar a lutar por igualdade e justiça", disse.

Oliveira Júnior também criticou o atendimento da delegacia, onde a mãe do garoto enfrentou dificuldades para registrar o boletim de ocorrência. "O descaso no atendimento foi evidente. O que ocorreu foi discriminação racial, e é fundamental que haja processos e sentenças para garantir que tais práticas não se repitam", concluiu o advogado.

O caso segue em andamento, com a família buscando justiça e um maior reconhecimento das práticas discriminatórias enfrentadas.




Diário do Interior MS
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