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Mulher mantida como escrava em MS tinha sinais de desnutrição


Cíntia Domingos, que morava em Minas Gerais, foi levada para Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, após visitar antiga patroa da mãe. Ela foi mantida como escrava em uma casa de família por 9 meses, segundo a polícia.
Foto: Polícia Civil/Divulgação Por: | 28/05/2023 18:08

A mulher de 34 anos mantida em situação de escravidão por 9 meses em Campo Grande, segundo a polícia, tinha "sinais de desnutrição" quando conseguiu fugir e foi ajudada por um casal no dia 22 de março.

O laudo consta no inquérito policial, que contou com a ajuda de policiais de Mato Grosso do Sul e também de Minas Gerais, já que a vítima é da cidade de Mateus Leme.

Nesta semana, Cíntia voltou para Minas Gerais, onde vivia com a mãe antes de ser levada (veja momento do reencontro no vídeo acima).

Assim que chegou em Belo Horizonte, ainda conforme a polícia, ela passou um período internada e tomando soro. Em seguida, realizou exames médicos.

Quando foi encontrada, a delegada Joilce Ramos, que a entrevistou pela primeira vez, disse que desconfiou que a vítima poderia ter sofrido abuso sexual e até mesmo estar grávida, o que não foi confirmado.

As informações, em caráter sigiloso, serão encaminhadas para a Polícia Federal (PF) de Mato Grosso do Sul, que ficará responsável pelo caso.

 

Relembre o caso

 

Cíntia disse que foi visitar uma antiga patroa da mãe em Mateus Leme no ano passado quando foi levada para Campo Grande.

Ao G1, a delegada Joilce afirmou que já identificou os acusados por supostamente manter a mulher como escrava. Cíntia vivia em uma casa no bairro Guanandi com uma senhora de cerca de 80 anos, o neto dela e a esposa dele. De acordo com a polícia, essa ex-patroa é filha da senhora que vivia na casa com a vítima.

"Nós conseguimos identificar os autores. Temos o nome e sobrenome e isso vai adiantar a investigação deles [da PF]. Também tentamos achar a casa, mas não foi possível até o momento. Eu rodei várias vezes próximo ao mercado onde ela ia e disse que não atravessava a rua, inclusive com meu carro particular. Falou que a casa era um portão amarelo com uma faixa vermelha e lixeira de madeira. É tudo o que se lembrava", disse Joilce.

Na propriedade em que vivia, Cíntia afirmou que era obrigada a limpar duas casas e que comia sobras de comida depois que todo mundo já tivesse terminado.

A mulher foi resgatada no dia 22 de março após fugir do local em que vivia.

Em depoimento à polícia, ela afirma que se perdeu, mas que conseguiu ajuda de um casal que a colocou no carro e a levou para uma igreja nas proximidades. No local, um policial militar que assistia a um culto levou a vítima para a Casa da Mulher Brasileira.

"A mulher disse que não teve opção, não teve escolha [sobre ser levada para MS]. E conversando com a mãe dela, por telefone, [a gente] soube que a vítima foi passear na casa da ex-patroa da mãe, a qual ela trabalhou por quase 10 anos", afirmou a delegada Joilce.

Pouco tempo depois dessa visita, algum familiar da ex-patroa apareceu na casa da mãe da vítima e, segundo a polícia, teria dito: "Olha, ela vai embora com a gente pra Campo Grande e eu vim buscar as roupas dela". A mãe disse que "ficou sem entender" e achou que a filha realmente estivesse querendo ir embora, por isso entregou as roupas dela.

"A partir daí, a mãe não teve mais nenhum contato [com a filha]. A mulher falou que, ao chegar aqui, a primeira coisa que fizeram foi apagar todos os contatos do celular dela. Ela vivia em uma casa com o portão trancado e só saía com o neto. Falou também que tinha que limpar as duas casas sem receber nenhum centavo, que não compravam roupas, nada, e ela só podia comer as sobras, além de ser xingada e maltratada", complet.

 

Delegada custeou passagem para vítima

 

Após instaurar inquérito, a delegada disse que Cíntia ressaltou o quanto queria ir embora e rever a mãe.

"A Casa da mulher Brasileira não tem setor específico para comprar passagens e, quando isso ocorre, geralmente é feita uma vaquinha. Nesse caso, uma passagem de avião iria demorar muito, por ser mais cara, e eu acho que ela não teria condição de ir embora de ônibus, então eu paguei e o caso já está com a polícia de lá também", finalizou.

G1 MS



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