A estiagem e as temperaturas elevadas registradas entre janeiro e fevereiro devem afetar o rendimento da atual safra de café e da próxima, conforme avaliação da Cooperativa Regional dos Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), maior comercializadora do grão no mundo. O impacto ainda não pode ser totalmente dimensionado, segundo a entidade.
O vice-presidente da Cooxupé, Osvaldo Bachião Filho, destacou que as temperaturas em fevereiro ultrapassaram 32°C, limite em que o cafezal reduz a fotossíntese, o que compromete o desenvolvimento das plantas. Além disso, a irregularidade das chuvas preocupa os produtores, com algumas regiões registrando volume 60% abaixo da média histórica.
Apesar dos desafios climáticos, a cooperativa adquiriu mais de 8 milhões de sacas de café em 2024 e vendeu 7 milhões, com exportações superiores a 6 milhões de sacas. A receita da Cooxupé ficou próxima de R$ 10 bilhões, com sobras de aproximadamente R$ 390 milhões. Os números superam os de 2023, quando a cooperativa recebeu 5,3 milhões de sacas e exportou 3,7 milhões, alcançando receita de R$ 6,4 bilhões e sobras de R$ 286,8 milhões.
A cooperativa também acompanha possíveis mudanças no comércio internacional. O superintendente comercial, Luiz Fernando dos Reis, afirmou que uma eventual taxação dos Estados Unidos sobre o café brasileiro poderia impactar os preços internacionais e as exportações do grão. Entretanto, ele ressaltou que o país já recuou em uma decisão similar envolvendo o café da Colômbia. (Com informações Globo Rural)