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População em situação de rua no Brasil ultrapassa 335 mil e bate recorde no CadÚnico


Estudo aponta aumento no número de registros, perfil majoritariamente masculino, baixa escolaridade e alta concentração no Sudeste.
Mais de 335 mil pessoas vivem nas ruas do Brasil, com destaque para a concentração no Sudeste e a violência sofrida por essa população em vias públicas. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo Por: Editorial | 19/04/2025 14:57

O número de pessoas em situação de rua registradas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) atingiu 335.151 em março deste ano, segundo dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua), da UFMG. Isso representa um aumento de 0,37% em relação a dezembro de 2024, quando havia 327.925 pessoas nessa condição.

O estudo, divulgado na segunda-feira (14), foi elaborado com base em informações do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). O levantamento mostra um crescimento expressivo desde dezembro de 2013, quando o Brasil registrava 22,9 mil pessoas vivendo nas ruas — ou seja, o número atual é 14,6 vezes maior.

Segundo o MDS, o aumento pode estar relacionado também à retomada de capacitações para operadores do CadÚnico a partir de 2023, fortalecendo a atuação dos municípios na coleta de dados. A pasta ainda ressaltou que, durante a gestão anterior (2019–2022), houve subnotificação e inconsistência nos registros.

Perfil da população

Dos mais de 335 mil brasileiros em situação de rua:

  • 9.933 são crianças e adolescentes (3%);

  • 294.467 têm entre 18 e 59 anos (88%);

  • 30.751 são idosos (9%);

  • 84% são homens.

A maioria sobrevive com renda de até R$ 109 por mês, o que representa apenas 7,18% do salário mínimo atual, de R$ 1.518. Em termos de escolaridade, 52% não concluíram o ensino fundamental ou são analfabetos — percentual mais que o dobro da média nacional (24%), conforme o Censo de 2022 do IBGE.

A baixa escolaridade, de acordo com o estudo, dificulta o acesso dessas pessoas ao mercado de trabalho.

Distribuição geográfica

A maior parte da população em situação de rua está concentrada na Região Sudeste, com 208.791 pessoas (63% do total). Em seguida vêm:

  • Nordeste: 48.374 (14%);

  • Sul: 42.367 (13%);

  • Centro-Oeste: 19.037 (6%);

  • Norte: 16.582 (4%).

O estado de São Paulo lidera o ranking, com 42,82% do total nacional. Depois aparecem:

  • Rio de Janeiro: 30.997 pessoas (10%);

  • Minas Gerais: 30.355 pessoas.

Entre as capitais, os números absolutos são:

  • São Paulo: 96.220 pessoas;

  • Rio de Janeiro: 21.764;

  • Belo Horizonte: 14.454;

  • Fortaleza: 10.045;

  • Salvador: 10.025;

  • Brasília: 8.591.

Variação entre os estados

Capitais de 12 estados registraram aumento nos dados do CadÚnico: Rio de Janeiro, Distrito Federal, Santa Catarina, Pernambuco, Rondônia, Roraima, Pará, Amapá, Piauí, Paraíba, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Outros nove estados apresentaram queda: Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Acre, Maranhão, Goiás, Alagoas, Sergipe e Espírito Santo.

Já São Paulo, Bahia, Ceará, Amazonas, Rio Grande do Norte e Tocantins permaneceram estáveis.

Em termos proporcionais, Boa Vista (RR) lidera com 20 pessoas em situação de rua a cada mil habitantes. Em São Paulo, são 8 por mil; em Florianópolis, 7; e em Belo Horizonte, 6.

Violência e violações

Entre 2020 e 2024, o Disque 100 registrou 46.865 denúncias de violência contra pessoas em situação de rua. Metade dos casos ocorreu em capitais, com destaque para:

  • São Paulo: 8.767 registros;

  • Rio de Janeiro: 3.478;

  • Brasília: 1.712;

  • Belo Horizonte: 1.283;

  • Manaus: 1.115.

A maioria das vítimas tinha entre 40 e 44 anos. A maior parte das agressões ocorreu em vias públicas, mas o relatório também aponta episódios em locais que deveriam oferecer proteção, como abrigos, hospitais, centros de referência e órgãos públicos.

Conclusões e medidas do governo

O OBPopRua/UFMG classificou o cenário como grave e criticou a ausência de políticas públicas eficazes de moradia, trabalho e educação para a população em situação de rua. Segundo o observatório, o Brasil ainda falha no cumprimento dos direitos previstos na Constituição Federal de 1988.

O MDS afirma estar investindo em ações para reforçar o acolhimento e a proteção dessa população, com recursos destinados ao fortalecimento dos Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua (Centro POP), que oferecem refeições, banho, apoio para emissão de documentos e outros serviços.

A pasta também financia o Serviço de Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (Paefi), ofertado nos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), voltado para quem está em situação de vulnerabilidade ou teve seus direitos violados. Com informações Agência Brasil.




Diário do Interior MS
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