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Produtores de Areia (PB) concentram a maior produção de cachaça artesanal do Nordeste e celebram o reconhecimento da Indicação Geográfica (Foto: divulgação).
Por: Editorial | 10/12/2025 13:55
O Brasil atingiu a marca de 150 Indicações Geográficas (IGs) nacionais reconhecidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). As duas certificações mais recentes contemplam regiões tradicionais na produção de cachaça artesanal: Areia, na Paraíba, e Orizona, em Goiás, ambas registradas como Indicação de Procedência (IP). Com os novos reconhecimentos, o país passa a reunir 161 IGs, somando 120 Indicações de Procedência (119 nacionais e uma estrangeira) e 41 Denominações de Origem (31 nacionais e dez estrangeiras). O avanço consolida a valorização de produtos regionais como ativos econômicos, reforçada pela legislação específica do setor, como o Decreto nº 4.062/2021, que define as expressões “cachaça”, “Brasil” e “cachaça do Brasil” como indicações geográficas de uso exclusivo nacional.

Com 28 engenhos registrados, Areia (PB) é a região com maior concentração de produtores no Nordeste e a segunda maior do país
Para o Sebrae, instituição que atua na qualificação e organização de produtores em diversas regiões, o reconhecimento fortalece competitividade, agrega valor e comunica ao mercado a relação entre território, tradição e qualidade. Segundo Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, a IG funciona como um selo que atesta origem e confiabilidade, ampliando oportunidades econômicas para pequenos negócios e impulsionando turismo e identidade local.
O setor da cachaça segue em expansão. Dados do Anuário da Cachaça 2025, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), apontam que o Brasil registrou 1.266 cachaçarias em 2024, aumento de 4 por cento em relação ao ano anterior. O número de produtos homologados também cresceu, alcançando 7.223 cachaças, alta de 20,4 por cento. Em paralelo, a Associação Nacional da Cachaça de Alambique (ANPAQ) lançou um manifesto pelo reconhecimento do método artesanal como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial do Brasil.
A região de Areia, na Paraíba, reúne 28 engenhos registrados e concentra mais de 40 por cento da produção estadual, sendo a maior do Nordeste e a segunda maior do país. Desde os anos 1990, produtores locais investem em padronização, qualificação e estratégias de mercado com apoio do Sebrae Paraíba, que também acompanhou o processo técnico da IG. O município integra ainda o roteiro Caminho dos Engenhos, que recebe cerca de 25 mil visitantes por ano e movimenta a economia regional. Em 2018, a produção local alcançou 4,5 milhões de litros e gerou aproximadamente 2.500 empregos diretos e indiretos. Para Thiago Baracho, vice-presidente da Associação dos Produtores de Cachaça de Areia (APCA), o selo reforça tradição, qualidade e visibilidade, contribuindo para o desenvolvimento regional.

Orizona, em Goiás, mantém uma tradição centenária de produção artesanal de cachaça
Em Goiás, Orizona mantém uma tradição centenária ligada ao saber-fazer transmitido entre gerações. Conhecida como Terra da Boa Cachaça, a região passou por reorganização produtiva e modernização nos últimos anos, com a atuação do Sebrae Goiás na formação de governança, capacitação em boas práticas e adequações técnicas exigidas para a concessão da IG. Para Edgar de Castro Correia, presidente da Associação dos Produtores de Cachaça de Orizona (Apacor), o reconhecimento marca um divisor de águas para o município e fortalece a valorização dos produtores. Após a certificação, as ações se voltam à ampliação de mercados, à rastreabilidade e à promoção do produto em eventos setoriais, mantendo as características tradicionais que distinguem a cachaça regional. Com informações: Agência Sebrae
