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María Corina Machado fala à imprensa em Oslo após receber o Prêmio Nobel da Paz 2025 (Foto: REUTERS/Leonhard Foeger)
Por: Editorial | 11/12/2025 07:27
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou nesta quinta-feira (11) que não interromperá sua luta até que a Venezuela volte a ser um país livre e democrático. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa em Oslo, na Noruega, onde Machado chegou na quarta-feira para receber o Prêmio Nobel da Paz.
“Estou muito esperançosa que a Venezuela será livre e a transformaremos em um farol de liberdade, vamos restaurar a democracia. Não vamos parar até que isso se torne realidade. Queremos tornar a Venezuela um centro democrático e econômico das Américas. Anseio por esse dia e vamos receber todos vocês lá em um país brilhante, democrático e livre, e isso acontecerá em breve”, afirmou.
Machado disse que levará o prêmio Nobel da Paz de volta para a Venezuela, apesar da ameaça de prisão feita pelo regime de Nicolás Maduro. Mais cedo, afirmou sentir que “este é um momento de virada” na história do país, destacando que os venezuelanos percebem um crescente apoio internacional.
Questionada sobre uma eventual intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, a opositora declarou que “a Venezuela já foi invadida”, referindo-se à presença de grupos estrangeiros e organizações criminosas no país. Segundo ela, agentes da Rússia e do Irã, além de grupos como Hezbollah, Hamas, guerrilhas colombianas e cartéis de drogas, operam com liberdade e apoio do governo Maduro. Para Machado, a combinação desses fatores transformou o país em um polo do crime nas Américas, sustentado por um sistema de repressão financiado pelo tráfico e pela venda ilegal de petróleo.
A opositora também relatou detalhes de sua viagem secreta da Venezuela a Oslo, afirmando que o regime fez “todo o possível” para impedir sua saída. Ela agradeceu às pessoas que arriscaram suas vidas para ajudá-la a deixar o país, afirmando que a operação foi difícil, mas necessária para revelar ao mundo a situação venezuelana.
Após mais de um ano vivendo escondida, Machado chegou à Noruega poucas horas após a cerimônia de entrega do Nobel. O Comitê Norueguês do Nobel confirmou sua chegada. Impedida de deixar a Venezuela desde 2014, ela teve seu discurso lido pela filha, Ana Corina Machado, que recebeu o prêmio em seu nome.
De acordo com informações do jornal The Wall Street Journal, Machado deixou a Venezuela em um barco cerca de 24 horas antes da cerimônia. Ela foi levada até Curação e, de lá, embarcou em um voo para Oslo. A operação contou com conhecimento do governo dos Estados Unidos, de familiares e aliados, que se mobilizaram para manter a ação em sigilo, já que Machado é procurada pelo regime de Nicolás Maduro. A agência Bloomberg informou ainda que alguns membros do próprio governo venezuelano ajudaram na fuga, movimento interpretado por fontes americanas como um possível indicativo de abertura a negociações caso Maduro deixe o poder. Com informações: g1
