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IPCA acumula alta de 4,46% em 12 meses até novembro, abaixo do teto da meta após mais de um ano (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Por: Editorial | 11/12/2025 07:36
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa Selic em 15% ao ano na quarta-feira, 9, veio acompanhada da repetição do diagnóstico de que a política monetária seguirá em um nível “significativamente contracionista por período bastante prolongado”. O tom adotado pelo comunicado esfriou as apostas de parte do mercado que esperava um corte já na reunião de janeiro e reforçou a expectativa de que a flexibilização deve começar apenas em março de 2026.
Até então, alguns analistas viam possibilidade de redução antecipada dos juros, sobretudo após declarações do presidente do BC, Gabriel Galípolo, indicando que a expressão usada nos comunicados anteriores não era “zerada” a cada reunião. Também contribuíam para esse entendimento os dados mais recentes do IPCA, divulgado pelo IBGE, que mostrou alta acumulada de 4,46% nos 12 meses até novembro — abaixo do teto da meta pela primeira vez em pouco mais de um ano — e a revisão para baixo das expectativas inflacionárias na pesquisa Focus.
A inflação mais baixa e a desaceleração de segmentos cíclicos da economia alimentavam a percepção de que o ciclo de cortes poderia começar mais cedo. No entanto, ao manter o tom considerado mais duro do que o esperado, o Copom reforçou que os juros permanecerão elevados por mais tempo. Para analistas como Marcelo Bolzan, sócio da The Hill Capital, o discurso do BC afasta a chance de redução da Selic já no início de 2026. Segundo ele, o Comitê deverá ajustar sua comunicação em janeiro para justificar eventuais cortes em março.
Internamente, o Copom ainda vê pressão persistente na inflação de serviços e destaca que, apesar de recuos recentes, o IPCA segue acima do centro da meta de 3% ao ano. Em audiência no Senado no fim de novembro, Galípolo reforçou que a meta não é a banda superior de 4,5% e que o BC deve perseguir o centro da meta.
Para economistas como Rafael Cardoso, do Daycoval, a avaliação do BC indica continuidade da estratégia vigente. Segundo ele, embora reconheça avanços na atividade e na inflação, a autoridade monetária sinaliza cortes apenas a partir de março. Mudanças sutis no comunicado reforçam essa percepção, como apontam economistas de casas como SulAmerica Investimentos e Genial Investimentos. A substituição de termos e a inclusão de novas expressões foram lidas como sinais de confiança na manutenção do atual patamar de juros.
Ainda assim, parte do mercado vê possibilidade de cortes já em janeiro. A economista do BTG Pactual, Iana Ferrão, e a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, avaliam que a continuidade da desaceleração econômica, o arrefecimento dos núcleos de inflação e a moderação do mercado de trabalho podem criar condições para a redução dos juros na primeira reunião de 2026. Ambas ressaltam que a decisão dependerá dos dados a serem divulgados até lá.
O comunicado do Copom também destacou incertezas externas, especialmente relacionadas à política econômica dos Estados Unidos e ao ambiente geopolítico, além de riscos domésticos, como expectativas de inflação desancoradas, resiliência da atividade e pressões no mercado de trabalho. O Comitê reforçou que a manutenção da taxa em 15% ao ano é compatível com a convergência da inflação à meta e que permanece vigilante, podendo ajustar a política monetária se necessário. Com informações: IstoÉDinheiro
