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Rússia diz que tensões na Venezuela podem ter consequências imprevisíveis para o Ocidente


Moscou reage à escalada de pressão dos Estados Unidos sobre Caracas e reafirma apoio a Nicolás Maduro em meio a negociações paralelas sobre a guerra na Ucrânia.
Presidentes Nicolás Maduro e Vladimir Putin durante encontro de cúpula do Brics em Kazan, na Rússia, em meio ao aumento das tensões entre Venezuela e Estados Unidos (Foto: Alexander Nemenov/Pool via Reuters) Por: Editorial | 17/12/2025 07:11

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou nesta quarta-feira (17) que as tensões em torno da Venezuela podem ter “consequências imprevisíveis para todo o Ocidente”. A declaração foi divulgada pela agência estatal russa TASS e ocorre em meio à intensificação do confronto entre os Estados Unidos e o governo de Nicolás Maduro.

A posição oficial de Moscou foi apresentada uma semana após o Kremlin confirmar que o presidente russo, Vladimir Putin, conversou por telefone com o presidente venezuelano para reafirmar o apoio do governo russo diante das ameaças e sanções impostas por Washington.

Na terça-feira (16), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom ao anunciar que a Venezuela estaria “completamente cercada” e determinou um bloqueio total a petroleiros que entram ou saem do país. Segundo o governo americano, forças militares dos EUA interceptaram e apreenderam uma dessas embarcações na semana passada. Trump acusou a Venezuela de roubar petróleo e terras dos Estados Unidos, sem detalhar as alegações.

A conversa entre Putin e Maduro não foi o primeiro sinal público de apoio russo ao governo venezuelano desde o início da ofensiva americana. Em 7 de novembro, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, declarou que Moscou estaria pronta para responder a eventuais pedidos de ajuda da Venezuela, reforçando o discurso de defesa da soberania do país sul-americano.

A manifestação mais dura da Rússia ocorre em um contexto mais amplo de tensão com os Estados Unidos. Paralelamente à crise venezuelana, Washington pressiona Moscou a aceitar um acordo de paz para encerrar a guerra na Ucrânia. De acordo com a agência Bloomberg, os EUA preparam uma nova rodada de sanções contra o setor energético russo como forma de pressionar o governo Putin a ceder em pontos-chave das negociações.

Questionado sobre a reportagem, o Kremlin afirmou que novas sanções “prejudicam os esforços para reparar as relações entre EUA e Rússia”. Pouco depois, o próprio Putin comentou as negociações de paz, negando qualquer intenção de atacar países europeus e acusando líderes ocidentais de estimular um clima de medo.

Segundo o presidente russo, há um aumento do que chamou de “histeria” no Ocidente, com discursos que falam em preparação para uma grande guerra. Putin afirmou que as acusações de ameaça russa são mentiras e declarou que Moscou busca cooperação mútua com os Estados Unidos e com países europeus.

Apesar do discurso diplomático, o líder russo reiterou que não abrirá mão dos objetivos que motivaram a invasão da Ucrânia em 2022, descrita por seu governo como “operação militar especial”. Ele afirmou que esses objetivos serão alcançados e que a Rússia seguirá usando meios militares caso Kiev abandone o diálogo.

Sobre uma reportagem do jornal The New York Times que menciona uma proposta americana de garantir a segurança da Ucrânia por meio de uma força militar liderada pela Europa, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a oposição russa à presença de contingentes estrangeiros em território ucraniano é clara, embora tenha reconhecido que o tema ainda pode ser discutido.

Peskov também informou que não há previsão de visita do enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, a Moscou nesta semana e destacou que a Rússia espera ser informada sobre os resultados das negociações entre Washington e Kiev. Com informações: g1




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