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A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, o presidente da França, Emmanuel Macron, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante encontro do G7++ à margem da cúpula do G20 em Joanesburgo, em novembro de 2025 (Foto: HENRY NICHOLLS/Pool via REUTERS)
Por: Editorial | 18/12/2025 07:41
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira (18), em Bruxelas, que o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul não pode ser assinado nas condições atuais. Segundo ele, o governo francês não apoiará o pacto sem novas salvaguardas que garantam proteção adequada aos agricultores europeus.
Antes de uma reunião de cúpula da UE, Macron declarou que a posição da França é firme e conhecida desde o início das negociações. “Quero dizer aos nossos agricultores, que manifestam claramente a posição francesa desde o início: consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado”, afirmou o presidente à imprensa.
Macron antecipou ainda que a França fará oposição a qualquer “tentativa de forçar” a adoção do acordo com o bloco sul-americano. O tratado é visto com desconfiança por produtores franceses, que consideram haver concorrência desleal por parte de países latino-americanos, onde as regras ambientais e sanitárias seriam menos rigorosas.
A Comissão Europeia chegou a oferecer garantias adicionais, incluindo salvaguardas para setores considerados mais vulneráveis. No entanto, representantes do setor agrícola francês avaliam que as medidas são insuficientes para evitar prejuízos.
Na terça-feira (16), o Parlamento Europeu aprovou um conjunto de mecanismos de proteção e monitoramento do impacto do acordo em produtos sensíveis, como carne bovina, aves e açúcar. As medidas permitem a aplicação de tarifas caso haja desestabilização do mercado europeu.
Entre os critérios aprovados, está a possibilidade de intervenção da Comissão Europeia se o preço de um produto importado da América Latina for ao menos 5% inferior ao da mesma mercadoria produzida na UE e se o volume de importações sem tarifas aumentar mais de 5%.
Apesar dessas salvaguardas, a França defende o adiamento da assinatura do acordo, que a União Europeia pretende concluir no sábado (20), durante agenda oficial no Brasil.
Outro fator decisivo será a posição da Itália. O país demonstrou sinais contraditórios nos últimos meses, e seu alinhamento pode ser crucial. Caso Roma se junte a Paris, Polônia e Hungria, os quatro países formariam uma maioria qualificada suficiente para bloquear o pacto dentro da UE.
Na quarta-feira (17), a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que considera “prematuro” firmar o acordo neste momento. Em discurso no Parlamento italiano, ela defendeu garantias de reciprocidade mais robustas para proteger o setor agrícola europeu e disse acreditar que as condições necessárias poderão ser atendidas no início do próximo ano.
Enquanto isso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tinha viagem prevista ao Brasil para formalizar a assinatura do acordo, negociado ao longo de mais de duas décadas com os países do Mercosul , Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai. Com informações: g1
