| Hoje é Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2026.

Após adiamento, Ursula von der Leyen diz que maioria dos países deve aprovar acordo entre Mercosul e União Europeia


Presidente da Comissão Europeia afirma estar confiante no apoio necessário para ratificação do tratado, cuja assinatura foi adiada para janeiro diante de resistências internas no bloco.
Ursula von der Leyen durante evento oficial da União Europeia; presidente da Comissão afirma estar confiante na aprovação do acordo com o Mercosul (Foto: Yves Herman/Reuters). Por: Editorial | 19/12/2025 07:22

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta sexta-feira (19) que existe uma maioria suficiente de Estados-membros da União Europeia disposta a apoiar o acordo comercial entre o bloco europeu e o Mercosul. A declaração ocorreu um dia após o anúncio de que a assinatura do tratado, prevista inicialmente para este sábado (20), foi adiada para janeiro.

Segundo von der Leyen, a decisão de postergar a conclusão do acordo foi tomada em comum acordo com os países do Mercosul. Em conversa com jornalistas, ela declarou estar confiante de que o tratado será aprovado, apesar das divergências entre alguns membros do bloco europeu. A informação sobre o adiamento foi divulgada pelas agências de notícias AFP e Reuters.

Fontes diplomáticas relataram que a presidente da Comissão confirmou, em reunião com líderes europeus, que a conclusão do acordo ficará para o início de 2026. O adiamento levou representantes políticos e agentes econômicos a recalcular as expectativas em relação ao futuro do pacto, negociado há cerca de 25 anos.

A Comissão Europeia pretendia selar o acordo ainda nesta semana, o que criaria a maior zona de livre comércio do mundo. No entanto, a iniciativa foi adiada após a Itália se alinhar à França, defendendo mais tempo para discutir salvaguardas ao setor agrícola europeu.

De forma geral, o acordo entre Mercosul e União Europeia prevê a redução gradual ou eliminação de tarifas de importação e exportação, além da harmonização de regras em áreas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos, padrões regulatórios e propriedade intelectual. As discussões se intensificaram com o início da reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas, que ocorre entre quinta (18) e sexta-feira (19).

A França segue como o principal foco de oposição ao tratado. O presidente Emmanuel Macron afirmou que o país não apoiará o acordo sem novas garantias para os agricultores franceses. Segundo ele, as condições atuais não oferecem proteção suficiente ao setor, que teme concorrência de produtos do Mercosul, considerados mais baratos e produzidos sob normas ambientais diferentes das europeias.

Em contrapartida, países como Alemanha e Espanha defendem o avanço do acordo. O chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, avaliam que o tratado pode fortalecer a posição comercial da União Europeia diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos e reduzir a dependência econômica da China, ao ampliar o acesso a mercados e a minerais estratégicos.

A Itália mantém uma posição intermediária. A primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que o país pode apoiar o acordo, desde que as preocupações dos agricultores italianos sejam atendidas. Segundo ela, essas demandas dependem de decisões da Comissão Europeia e poderiam ser resolvidas rapidamente.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, demonstrou otimismo após conversar com Meloni por telefone. De acordo com Lula, a premiê italiana não é contrária ao acordo, mas enfrenta pressão política interna. O presidente afirmou acreditar que a Itália poderá aderir ao tratado em poucas semanas.

Enquanto líderes políticos debatiam o tema em Bruxelas, milhares de agricultores de diversos países europeus protestaram contra a política agrícola da União Europeia e contra o acordo com o Mercosul. A manifestação reuniu tratores nas proximidades das instituições europeias e teve confrontos com a polícia, incluindo queima de pneus e arremesso de objetos. Ao menos uma pessoa ficou ferida.

A aprovação do acordo depende do Conselho Europeu, órgão responsável por autorizar formalmente a Comissão Europeia a ratificá-lo. Diferentemente do Parlamento Europeu, onde basta maioria simples, o Conselho exige maioria qualificada: o apoio de pelo menos 15 dos 27 países da União Europeia, que representem 65% da população do bloco. É nessa etapa que se concentra o maior risco político para o avanço do tratado.

Apesar de a oposição se concentrar no setor agrícola, o acordo é mais amplo e envolve também indústria, serviços, investimentos e propriedade intelectual, o que explica o apoio de diferentes setores econômicos europeus. Com o adiamento, a expectativa de uma viagem de Ursula von der Leyen ao Brasil para ratificação do acordo ainda neste ano foi descartada. Com informações: g1




Diário do Interior MS
NAVIRAÍ MS
CNPJ: 30.035.215/0001-09
E-MAIL: diariodointeriorms1@gmail.com
Siga-nos nas redes Sociais: