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Em meio a protestos em Bruxelas, acordo União Europeia–Mercosul é adiado para janeiro


Assinatura do tratado foi postergada para dar mais tempo a países europeus que resistem ao acordo, enquanto agricultores protestam contra possíveis impactos no setor.
Agricultores protestam em Bruxelas contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, durante manifestações que incluíram confronto com a polícia (Foto: Reuters). Por: Editorial | 19/12/2025 09:06

A assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul foi adiada para janeiro, em meio a fortes protestos de agricultores em Bruxelas, na Bélgica. A informação foi confirmada por três fontes à agência Reuters. O tratado, negociado há mais de 20 anos, era esperado para ser formalizado ainda neste mês, durante a cúpula de líderes do Mercosul.

(Foto: Divulgação)

No Brasil, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que acredita valer a pena insistir no acordo e, se necessário, aguardar mais tempo para viabilizá-lo. Segundo ele, as resistências em alguns países europeus não se sustentam em prejuízos econômicos reais. “Não há prejuízo para os agricultores italianos e franceses. Não há”, declarou o ministro, durante café com jornalistas no Ministério da Fazenda.

(Foto: Divulgação)

Haddad avaliou que parte da oposição ao tratado decorre de disputas políticas internas na Europa e não do conteúdo do acordo. Ele destacou ainda que o texto prevê mecanismos de proteção aos produtores europeus e que um prazo maior pode ajudar governos a esclarecer o tema à opinião pública e aos setores produtivos.

Enquanto isso, agricultores de diversos países europeus protestaram em Bruxelas contra o acordo. Durante a manifestação, houve confronto com a polícia. Manifestantes lançaram bombas de fumaça e objetos, enquanto as forças de segurança reagiram com jatos de água. Tratores foram levados à capital belga como forma de pressionar os líderes da União Europeia reunidos para discutir políticas comerciais e agrícolas.

Os agricultores alegam que o setor enfrenta crise há anos e acusam a União Europeia de agravar a situação com acordos comerciais que aumentariam a concorrência e reduziriam os preços, além de possíveis cortes no orçamento da Política Agrícola Comum.

A França, Itália, Polônia e Hungria se posicionaram contra a assinatura imediata do acordo, alegando a necessidade de maior proteção à agricultura local. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou recentemente que não seria possível assinar o tratado neste momento. Haddad relatou ter enviado mensagem a Macron destacando que o acordo tem importância política e geopolítica, além da dimensão comercial, e recebeu resposta cordial do líder francês.

O ministro também informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou do tema com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, reforçando o diálogo político para avançar nas negociações. A expectativa agora é que o acordo seja retomado em janeiro, após mais rodadas de conversas.




Diário do Interior MS
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