|
Hoje é Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2026.
Projeto integra tecnologias sociais ao ensino na Escola Estadual Nova Itamarati, no assentamento Itamarati, em Ponta Porã (Foto: Divulgação)
Por: Editorial | 23/12/2025 07:53
Para garantir que as futuras gerações tenham condições de permanecer na área rural com perspectivas reais de emprego e renda, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul mantém um projeto de desenvolvimento voltado à profissionalização de estudantes do assentamento Itamarati, em Ponta Porã. A iniciativa é desenvolvida na Escola Estadual Nova Itamarati e busca aliar educação, inovação e sustentabilidade às vocações da própria comunidade.
Reconhecido como o maior assentamento demarcado da América Latina, o território enfrenta um crescente processo de êxodo rural, especialmente entre jovens que deixam o campo em busca de oportunidades nos centros urbanos. A realidade impõe o desafio de fortalecer o sentimento de pertencimento e criar caminhos viáveis de desenvolvimento e autonomia para as famílias locais.
Nesse contexto, surgiu o projeto de extensão desenvolvido pela UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), em parceria com o Governo do Estado, com o objetivo de apresentar alternativas de inovação, geração de renda e subsistência sustentável para a comunidade. A proposta envolve a introdução de tecnologias sociais aliadas ao currículo escolar, preparando os estudantes para atuar como agentes de transformação no próprio território.
“A proposta da UFGD é levar tecnologias sociais para desenvolver novas formas de gerar renda, emprego e perspectivas de permanência dentro da comunidade. As unidades escolares são espaços de discussão e especialização dessas tecnologias, além da profissionalização”, explica Douglas Henrique Alencar, educador ambiental da Secretaria de Estado de Educação (SED).
Na Escola Estadual Nova Itamarati, as ações já se materializam por meio da instalação de tecnologias sociais que dialogam diretamente com o ensino. Entre elas estão geradores de biogás, tanques para criação de peixes, sistemas de compostagem para produção de adubo orgânico e projetos de aquaponia. A integração entre teoria e prática amplia os horizontes dos estudantes e estimula o interesse pela inovação no campo.
Estudantes, professores e equipe técnica participam da implantação de tecnologias sociais na Escola Estadual Nova Itamarati, fortalecendo a aprendizagem prática e o desenvolvimento sustentável no assentamento Itamarati (Foto: Divulgação).
Segundo o diretor da escola, Jucélio Salmazo, a aproximação com a universidade tem impacto direto nas perspectivas dos alunos. “Esse contato com os professores da UFGD faz com que os alunos vejam a universidade como algo acessível. Principalmente no terceiro ano do ensino médio, percebemos uma vontade maior de prestar vestibular e buscar uma universidade pública”, afirma.
As ações fazem parte dos projetos conduzidos pelo CDR (Centro de Desenvolvimento Rural) da UFGD, que há oito anos atua no assentamento com pesquisas e extensões voltadas à agricultura familiar e ao desenvolvimento sustentável. A professora Juliana Carrijo, responsável por projetos na área de aquaponia, piscicultura e bioeconomia, destaca que uma das principais demandas identificadas é a permanência dos jovens no meio rural.
“O projeto piloto foi implantado na Escola Estadual Nova Itamarati, a maior unidade rural do Mato Grosso do Sul. A proposta é desenvolver uma metodologia para criação de espaços coletivos de educação, ciência, tecnologia e inovação no campo, integrando as tecnologias sociais às disciplinas escolares”, explica a professora.
O convênio prevê investimento superior a R$ 1,4 milhão e conta com a participação da Semadesc (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), responsável pelo suporte financeiro e técnico. A iniciativa pretende se tornar uma vitrine tecnológica, com espaços lúdicos, interativos e replicáveis, capazes de fortalecer a identidade do território e promover a sucessão rural de forma sustentável. Com informações: Agência de Notícias.
