|
Hoje é Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2026.
Imagens submersas registradas por Ruver Bandeira revelam cavernas, rios e nascentes de Bonito e Bodoquena sob novas perspectivas (Foto: Ruver Bandeira).
Por: Editorial | 29/12/2025 13:35
Bonito e Bodoquena, dois dos principais destinos de ecoturismo do Mato Grosso do Sul, ganharam novos olhares a partir do trabalho do fotógrafo cearense Ruver Bandeira. Especialista em fotografia subaquática, ele esteve no estado para produzir imagens inéditas em cavernas submersas, fervedouros, nascentes e rios de águas cristalinas, revelando detalhes pouco explorados da fauna, da flora e das formações geológicas da região.

Periodo escolhido para fotos no Abismo Anhumas coindiciu com os meses em que o salão recebe mais iluminação natural (Foto: Ruver Bandeira)
A expedição passou por alguns dos principais atrativos turísticos dos dois municípios, como o Abismo Anhumas, a Gruta do Mimoso, a nascente do Rio Olho D’água, o Rio da Prata, o Rio Azul e um fervedouro localizado em Bodoquena. As imagens integram uma série que destaca não apenas a beleza cênica dos locais, mas também a necessidade de conservação de um dos territórios de maior biodiversidade do país.

Abismo Anhumas é uma impressionante caverna com um lago de águas cristalinas que chega a cerca de 80 metros de profundidade (Fotos: Ruver Bandeira).
Um dos destaques do trabalho foi o Abismo Anhumas, localizado a cerca de 23 quilômetros do centro de Bonito. A caverna abriga um lago de águas cristalinas que chega a aproximadamente 80 metros de profundidade. Para acessar o local, é necessário descer cerca de 72 metros por rapel elétrico. O período escolhido para os registros coincidiu com os meses de maior incidência de luz natural no salão principal, entre dezembro e o início de fevereiro.

Gruta do Mimoso oferece uma experiência singular tanto para flutuação quanto para mergulho (Foto: Ruver Bandeira).
No mergulho recreativo, permitido até cerca de 18 metros, é possível observar formações calcárias em forma de cones, incluindo o maior cone submerso do mundo, além de uma ossada de tamanduá com mais de dois mil anos preservada no fundo do lago.

Grande piscina natural do Rio Olho D’água com águas translúcidas e vegetação submersa, habitada por peixes como piraputangas e répteis como o jacaré-coroa (Fotos: Ruver Bandeira).
Outro ponto fotografado foi a Gruta do Mimoso, reaberta para visitação em 2022. A caverna alagada é conhecida pela extrema transparência da água e pelas formações calcárias raras. No local, Ruver utilizou a técnica de longa exposição com light painting, contando com o apoio de mergulhadores especializados em mergulho em caverna para iluminar manualmente as formações submersas.

Flutuação no Rio Azul permite observar peixes, plantas aquáticas e o fenômeno da oxigenação da água em dias ensolarados (Foto: Ruver Bandeira)
A expedição também percorreu a Reserva Particular do Patrimônio Natural que abriga a nascente do Rio Olho D’água e o Rio da Prata. O trajeto inclui trilhas em meio à mata ciliar, com presença de árvores de grande porte, orquídeas, bromélias e diversas espécies da fauna silvestre. A nascente do Rio Olho D’água se destaca como uma grande piscina natural, habitada por peixes como piraputangas, piaus, dourados e curimbatás, além de répteis como o jacaré-coroa.

Toda a beleza subaquática do mergulho e da flutuação nas águas cristalinas do Rio Azul (Foto: Ruver Bandeira)
Em Bodoquena, a cerca de 90 quilômetros de Bonito, o fotógrafo registrou o Rio Azul e um fervedouro do empreendimento Nascentes da Serra. A flutuação no Rio Azul, com percurso aproximado de 620 metros, permite observar peixes, plantas aquáticas e o fenômeno da oxigenação da água em dias ensolarados. Os fervedouros, ambientes extremamente sensíveis, também foram documentados, reforçando a necessidade de regras rigorosas de visitação para preservar a transparência da água.
Com quase 30 anos de carreira, Ruver Bandeira iniciou sua trajetória no mundo submerso em 1996, após um batismo de mergulho em Fernando de Noronha. Ao longo da carreira, conquistou mais de 32 premiações e defende que a fotografia subaquática também é uma ferramenta de conscientização ambiental.
Segundo o fotógrafo, preservar esses ambientes é essencial para que futuras gerações possam conhecê-los. O trabalho realizado em Bonito e Bodoquena reforça o potencial turístico do Mato Grosso do Sul e mostra que mesmo destinos já consagrados ainda podem ser vistos de novas formas. Com informações: Made in MS
