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Um petroleiro venezuelano da estatal PDVSA participa do enchimento de um petroleiro no terminal de embarque e armazenamento de José, 320 quilômetros a leste de Caracas, 12 de fevereiro de 2003 — Foto: Reuters
Por: Editorial | 04/01/2026 17:22
A estatal petrolífera venezuelana PDVSA iniciou a redução da produção de petróleo bruto após esgotar sua capacidade de armazenamento, segundo a agência Reuters. A medida é consequência direta do bloqueio imposto pelos Estados Unidos, que paralisou as exportações e aumentou a pressão sobre o governo interino da Venezuela.
O país atravessa uma grave crise política desde a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa por forças norte-americanas no sábado (3). Com a deposição do líder chavista, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o comando do país em meio a declarações de Washington sobre possíveis novas ações militares.
As exportações de petróleo, principal fonte de receita da Venezuela e base de sua participação na Opep, estão suspensas após os Estados Unidos bloquearem navios-tanque sob sanções e apreenderem dois carregamentos no mês passado. As operações da Chevron, que possuía autorização especial para atuar no país, também foram interrompidas desde quinta-feira, de acordo com dados divulgados neste domingo (4).
Ao anunciar a detenção de Maduro, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que um embargo total ao petróleo venezuelano estava em vigor e declarou que o país passaria por uma transição supervisionada por Washington. O secretário de Estado, Marco Rubio, adotou tom mais moderado ao afirmar que os EUA não terão papel direto na administração cotidiana da Venezuela, limitando-se à manutenção de uma “quarentena do petróleo”.
Em entrevista à emissora CBS, Rubio disse que a medida será usada como instrumento de pressão para promover mudanças na política venezuelana, tanto na gestão da indústria petrolífera quanto no combate ao tráfico de drogas.
Como parte da estratégia emergencial, a PDVSA passou a fechar campos petrolíferos e conjuntos de poços, à medida que os estoques em terra aumentam e faltam diluentes para processar o petróleo extrapesado. A estatal solicitou cortes de produção em joint ventures como a Sinovensa, operada com a CNPC, a Petropiar, da Chevron, além da Petroboscan e da Petromonagas. A Petromangas passou a ser operada exclusivamente pela PDVSA após o encerramento da parceria com a Roszarubezhneft.
Na Sinovensa, trabalhadores se preparavam para desligar até dez conjuntos de poços devido ao excesso de petróleo e à escassez de diluentes, embora a Reuters informe que as operações poderão ser retomadas rapidamente. Parte da produção, tradicionalmente enviada à China como pagamento de dívidas, deixou de ser embarcada depois que dois superpetroleiros chineses interromperam a navegação no fim de dezembro.
Na Petromonagas, a produção começou a ser reduzida até que o fornecimento de diluentes seja restabelecido. A Chevron ainda mantém a produção graças à capacidade temporária de armazenamento, mas suas embarcações não deixaram as águas venezuelanas desde quinta-feira, e novos cortes não estão descartados.
Apesar de concentrar a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, estimada em cerca de 303 bilhões de barris pela Energy Information Administration, a Venezuela enfrenta dificuldades estruturais. Grande parte de seu petróleo é extrapesado, o que exige tecnologia avançada e altos investimentos, dificultados por anos de sanções e sucateamento da infraestrutura.
Nas últimas décadas, a produção caiu de um pico de 3,7 milhões de barris por dia, em 1970, para 665 mil em 2021. No ano passado, houve leve recuperação, com a produção em torno de 1 milhão de barris diários, volume que representa menos de 1% da produção global.
O petróleo moldou a economia venezuelana ao longo do século 20. Após a nacionalização da indústria em 1976 e a criação da PDVSA, o setor se tornou um monopólio estatal. Durante os governos de Hugo Chávez, a maior parte da renda petrolífera foi destinada a programas sociais, reduzindo investimentos em outras áreas produtivas.
Entre 1998 e 2019, mais de 90% das exportações do país vieram do petróleo. Com a queda da produção e o avanço das sanções internacionais, a economia entrou em colapso. Em 2019, a inflação atingiu 344.510%, segundo o Banco Central, aprofundando a crise econômica e social. Com informações g1
