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Nicolás Maduro é transferido por autoridades dos Estados Unidos para comparecer a audiência em tribunal federal de Nova York. (Foto: Reuters).
Por: Editorial | 05/01/2026 13:37
O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou-se inocente nesta segunda-feira (5) diante da Justiça dos Estados Unidos, durante sua primeira audiência em um tribunal federal de Nova York. Na ocasião, ele afirmou ser um “prisioneiro de guerra” do governo norte-americano e reforçou que não reconhece legitimidade nas acusações.
“Sou inocente. Sou um homem decente. Sou um presidente”, disse Maduro, ao reiterar que considera ainda exercer a presidência do país. Sua esposa, Cilia Flores, que também responde ao processo, igualmente se declarou inocente.
Capturado no sábado (3) durante uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas, Maduro foi levado ao Centro de Detenção Metropolitano (MDC), no Brooklyn, onde permanece preso. Ele compareceu à audiência algemado nos tornozelos e utilizando fones de ouvido para acompanhar a tradução.
Maduro responde a quatro acusações formais na Justiça norte-americana: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para o tráfico internacional de cocaína, posse de armas e explosivos e conspiração para a posse desses armamentos. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, as acusações estão ligadas à suposta atuação do ex-presidente como líder do chamado “Cartel de los Soles”, organização criminosa acusada de enviar drogas da América do Sul para os Estados Unidos.
A audiência realizada nesta segunda teve caráter processual e serviu para que os réus tomassem ciência formal das acusações. O juiz responsável marcou uma nova sessão para o dia 17 de março, quando Maduro e Cilia Flores deverão prestar depoimento.
Imagens divulgadas pela agência Reuters mostram o ex-presidente venezuelano sendo transferido do presídio ao tribunal federal em Manhattan, percurso de aproximadamente oito quilômetros.
Especialistas contestam a narrativa oficial do governo norte-americano, argumentando que o “Cartel de los Soles” não opera com uma hierarquia centralizada, mas como uma rede difusa que envolve militares e setores políticos. Ainda assim, investigações apontam que Maduro teria se beneficiado de um sistema descrito como “governança criminal híbrida”.
Situação política na Venezuela
Após a retirada de Maduro do poder, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela nomeou a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país. A decisão foi respaldada pelas Forças Armadas, que reconheceram sua liderança por um período inicial de 90 dias, com o objetivo de garantir a continuidade administrativa.
No domingo (4), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o país está “no comando” da situação venezuelana após a captura de Maduro, afirmando que o governo americano mantém diálogo com a nova liderança interina em Caracas. Com informações: G1.
