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Donald Trump durante evento público. Foto: Angela Weiss / EFE
Por: Editorial | 12/01/2026 20:20
O anúncio foi feito por meio da rede social Truth Social, onde Trump afirmou que a decisão é “final e conclusiva”. O presidente não esclareceu, contudo, se a tarifa se aplica apenas a novas negociações ou também a contratos comerciais já em vigor.
A decisão reforça o isolamento económico do Irã e gera incertezas para países que mantêm relações comerciais com Teerã. O Brasil pode ser impactado, embora o Irã não figure entre seus principais parceiros comerciais. Em 2025, empresas brasileiras importaram cerca de US$ 84,5 milhões do país, principalmente ureia, pistache e uvas secas. As exportações somaram aproximadamente US$ 2,9 bilhões, com destaque para milho, soja e açúcar, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Até a última atualização desta reportagem, o Itamaraty e a Presidência da República não haviam se manifestado sobre o anúncio.
O endurecimento da política norte-americana ocorre num momento de forte instabilidade interna no Irã. Desde o fim de dezembro, protestos têm mobilizado milhares de pessoas nas principais cidades do país contra o regime do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Organizações de direitos humanos estimam mais de 600 mortos e mais de 10 mil presos desde o início das manifestações.
Em resposta aos protestos, o governo iraniano determinou o corte do acesso à internet, isolando o país do exterior. Paralelamente, Trump tem adotado um discurso mais incisivo. No fim de semana, afirmou que o Irã estaria “buscando a liberdade” e declarou que os Estados Unidos “estão prontos para ajudar”, além de mencionar que avalia “opções muito fortes” em relação ao país.
Segundo o jornal The Wall Street Journal, o presidente norte-americano considera a possibilidade de uma ação militar, embora assessores defendam uma saída diplomática. Trump deve reunir-se com auxiliares nesta terça-feira (13) para discutir os próximos passos, sem que haja, até o momento, uma decisão definitiva.
A escalada faz parte da política de “pressão máxima” retomada por Trump desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025. O Irã enfrenta sanções severas desde 2018, quando os Estados Unidos se retiraram do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano. Em setembro do ano passado, novas sanções também foram impostas pelas Nações Unidas.
O cenário agravou-se após o conflito direto entre Irã e Israel, em junho de 2024, encerrado após ataques norte-americanos a alvos ligados ao programa nuclear iraniano. A economia do país sofre com inflação superior a 40% ao ano, desvalorização acelerada da moeda e aumento das desigualdades sociais.
Somente em 2025, o rial iraniano perdeu cerca de metade de seu valor em relação ao dólar, atingindo neste mês o menor patamar histórico. No fim de dezembro, o presidente do Banco Central do Irã renunciou ao cargo, em meio a críticas às políticas económicas adotadas.
Além do impacto direto sobre o Irã, a nova tarifa reacende preocupações no comércio internacional, sobretudo entre países que buscam equilibrar relações económicas com os Estados Unidos e interesses estratégicos no Médio Oriente.
A medida também ocorre num contexto em que o próprio Brasil foi alvo de tarifas elevadas durante o atual mandato de Trump, ainda que parte dessas medidas tenha sido posteriormente revista após negociações diplomáticas.
O uso de sanções secundárias reforça o papel das tarifas como instrumento central da política externa norte-americana e sinaliza um período de maior instabilidade nas relações económicas e geopolíticas globais. g1
