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O sorgo é um grão semelhante ao milho, resistente à seca e cada vez mais utilizado na safrinha em Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação/Semadesc).
Por: Editorial | 13/01/2026 14:42
A área cultivada com sorgo em Mato Grosso do Sul registrou crescimento expressivo nos últimos cinco anos e chegou a cerca de 400 mil hectares na segunda safra, um aumento superior a 7.700% em relação ao início do período. Os dados são da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), com base em levantamentos do SIGA (Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio).
Segundo a secretaria, o sorgo deixou de ser apenas uma alternativa emergencial para se tornar parte do planejamento econômico do produtor rural. A mudança ocorreu principalmente a partir da demanda criada pelas usinas de etanol de milho, que passaram a firmar contratos de compra, garantindo previsibilidade, escala e segurança financeira ao setor produtivo.
Conforme os dados oficiais, a área cultivada saiu de pouco mais de 5 mil hectares para aproximadamente 400 mil hectares em cinco safras consecutivas. A virada mais significativa começou na safra 2021/2022, quando o sorgo passou a ocupar áreas maiores, e se intensificou na safra 2024/2025, período em que a área praticamente dobrou em relação ao ciclo anterior.
O secretário da Semadesc, Jaime Verruck, destaca que a expansão segue uma estratégia clara baseada no mercado. Ele explica que, apesar de o sorgo sempre ser conhecido pelos produtores, a falta de demanda estruturada limitava sua adoção. Com a entrada das indústrias de etanol de milho, esse cenário mudou. A cultura passou a oferecer menor risco climático, especialmente em áreas com janela curta após a colheita da soja.
Ainda de acordo com Verruck, o sorgo se encaixa melhor em regiões onde o milho enfrenta maiores limitações climáticas, reduzindo perdas produtivas e financeiras. A consolidação das usinas de etanol foi decisiva para criar um ambiente favorável ao investimento e à expansão da cultura.
Os dados do SIGA mostram que cerca de metade da área plantada com sorgo na segunda safra está concentrada em dez municípios. Ponta Porã e Maracaju lideram o plantio, seguidos por Bonito, Bela Vista e Sidrolândia, regiões onde o cultivo do milho apresenta maior risco climático.
O secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, afirma que o sorgo se firmou como alternativa viável por sua maior resistência a adversidades climáticas e sanitárias. Ele ressalta que a existência de mercado garantido e de estrutura de armazenagem eliminou entraves históricos e deu mais segurança ao produtor.
No cenário nacional, a produção brasileira de sorgo deve ultrapassar 6,6 milhões de toneladas na safra 2025/2026, segundo a Conab. Mato Grosso do Sul ocupa a quarta posição entre os maiores produtores do país, reforçando a importância da cultura para o desenvolvimento regional e a diversificação do agronegócio. Com informações: Semadesc
