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Militar fica tetraplégico aos 19 anos após tiro e aguarda cirurgia inédita com polilaminina em MS


Procedimento experimental, que pode devolver movimentos a pacientes com lesão na medula, foi adiado por exigência judicial
Hospital Militar de Área de Campo Grande, onde a cirurgia com uso de polilaminina está prevista para ser realizada (Foto: Arquivo/Kísie Ainoã). Por: Editorial | 14/01/2026 15:41

Foi adiada a primeira cirurgia que pode utilizar polilaminina em Mato Grosso do Sul, medicamento ainda em fase de estudos e considerado promissor para a recuperação de movimentos em pacientes com lesão medular. A expectativa é que o procedimento seja realizado ainda nesta semana, no Hospital Militar de Área de Campo Grande.

O paciente é um militar de 19 anos que ficou tetraplégico após ser atingido por um tiro no pescoço há cerca de dois meses. O projétil causou lesão na medula espinhal ao atravessar a região cervical, resultando na perda total dos movimentos dos braços e das pernas.

Como a polilaminina ainda não possui aprovação da Anvisa, o jovem precisou recorrer à Justiça para ter acesso ao tratamento de forma experimental. Uma decisão liminar autorizou o procedimento, que estava inicialmente marcado para esta quarta-feira (14). No entanto, a cirurgia foi adiada devido à necessidade de aguardar o prazo de 72 horas para manifestação da Anvisa, conforme previsto no processo judicial.

De acordo com o advogado Gabriel Traven Nascimento, responsável pelo caso, o reagendamento não está relacionado a falhas médicas ou logísticas, mas sim à exigência de uma autorização regulatória formal para o uso compassivo do medicamento ainda não registrado. Caso a Anvisa não se manifeste dentro do prazo, o próprio juiz poderá autorizar a realização da cirurgia.

O advogado avalia a decisão judicial como um avanço importante, destacando que o Judiciário reconheceu a gravidade do quadro clínico, a urgência do tratamento e a existência de uma janela terapêutica crítica para a intervenção.

O medicamento será fornecido gratuitamente pelo laboratório Cristália, que atua em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsáveis pelo desenvolvimento da substância. Segundo levantamento do escritório que representa o paciente, menos de dez cirurgias com polilaminina foram realizadas no Brasil por decisão judicial, nenhuma delas em Mato Grosso do Sul.

Embora a indicação principal da polilaminina seja para aplicação em pacientes com lesões ocorridas há até 72 horas, o laboratório defende que o medicamento também pode apresentar eficácia em casos mais antigos, como o do militar sul-mato-grossense. Com informações: Campo Grande News




Diário do Interior MS
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