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Ambiente do imóvel após o confronto com o Batalhão de Choque, no Residencial Reinaldo Busanelli, em Campo Grande; a área foi isolada para os trabalhos da perícia. (Foto: Divulgação).
Por: Editorial | 15/01/2026 07:16
O homem de 31 anos morto em confronto com o Batalhão de Choque da Polícia Militar na tarde desta quarta-feira (14), em Campo Grande, era apontado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) como integrante com função estratégica dentro de uma organização criminosa com atuação no Estado.
Conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, o suspeito integrava de forma ativa e organizada a estrutura do grupo criminoso, sendo identificado pelo codinome “.40” (ponto quarenta). Nos autos, ele aparece descrito como integrante de um setor interno responsável pela articulação, controle disciplinar e comunicação entre membros da organização, inclusive com atuação interestadual.
De acordo com o Gaeco, a função exercida era considerada de alta relevância, pois centralizava informações, repassava ordens e organizava demandas internas, garantindo o funcionamento do grupo mesmo com integrantes presos. A atuação envolvia contato frequente com outros núcleos da organização, muitas vezes por meio de celulares introduzidos ilegalmente no sistema prisional.
As investigações apontam que o suspeito fazia parte do grupo responsável por dar suporte à comunicação criminosa, auxiliando na logística e na distribuição de aparelhos celulares utilizados por internos do Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande. Os dispositivos eram usados para manter contato com integrantes em liberdade e com membros localizados em outros estados.
Em listas internas interceptadas durante a investigação, o homem é citado com função definida e número de telefone vinculado à organização criminosa. Segundo o Ministério Público, os registros demonstram posição de confiança e relevância hierárquica, ainda que ele não figurasse como líder máximo do grupo.
A denúncia destaca ainda que a atuação de integrantes com esse perfil permitia que a organização mantivesse controle interno, aplicasse regras disciplinares e coordenasse atividades criminosas, incluindo o tráfico de drogas, mesmo a partir do interior das unidades prisionais.
Diante desse conjunto de provas, o suspeito foi denunciado pelos crimes de integrar organização criminosa e associação para o tráfico de drogas. Ele também respondia a outros processos por delitos como porte e posse ilegal de arma de fogo, disparo de arma, furto, desacato e tentativa de homicídio.
Além disso, acumulava uma extensa ficha criminal, com registros por furto, furto tentado, porte de drogas para consumo pessoal, posse irregular e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, disparo de arma de fogo e homicídio simples na forma tentada. Também constam processos por tráfico de drogas e associação para o tráfico, relacionados à atuação conjunta com outros investigados. No momento da morte, ele estava em regime aberto domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica.
O confronto
O homem morreu após confronto com policiais do Batalhão de Choque no Residencial Reinaldo Busanelli, no Jardim Campo Nobre, em Campo Grande. A ação ocorreu no terceiro andar, na última rua do condomínio, durante o horário do almoço. De acordo com a Polícia Militar, ele teria reagido à abordagem e tentado atirar contra a equipe.
Moradores relataram ter ouvido uma sequência de disparos, seguida do acionamento da sirene de uma viatura, o que causou pânico entre os residentes. O suspeito chegou a ser socorrido após o confronto, mas não resistiu aos ferimentos. Familiares estiveram no local e, bastante abalados, afirmaram que ele havia saído recentemente do sistema prisional e tentava se reconstruir. Com informações: Campo Grande News.
