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Imagem ilustrativa do projeto de hotel de luxo previsto para a Fazenda Pau D’Alho, em São José do Barreiro (Foto: Reprodução/Ministério do Turismo).
Por: Editorial | 17/01/2026 07:27
A Fazenda Pau D’Alho, localizada em São José do Barreiro, no interior de São Paulo, pode ser transformada em um hotel de luxo por meio de um projeto de concessão do governo federal que está em consulta pública até o dia 6 de fevereiro. O empreendimento previsto conta com 60 quartos, diária média estimada em cerca de R$ 1,6 mil e investimento total de R$ 63,1 milhões ao longo de 45 anos de contrato.
Construída em 1818 para a produção de café, a fazenda é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1968 e tem relevância histórica por ter recebido Dom Pedro I em 17 de agosto de 1822, poucos dias antes da Proclamação da Independência. Segundo o projeto, o hotel seria construído fora da área tombada, a pelo menos 15 metros do conjunto histórico, mas moradores questionam o tamanho da proposta e os impactos ambientais, culturais e estruturais.
Infográfico mostra detalhes do projeto de concessão. (Foto: g1)
O plano prevê cerca de 8,3 mil metros quadrados de área construída, somando edificações históricas e novas estruturas. De acordo com líderes comunitários e integrantes do Instituto Pau D’Alho, a cidade, que possui cerca de 3,8 mil habitantes, não teria infraestrutura suficiente para suportar o fluxo estimado de até 45 mil visitantes por ano apenas na fazenda. As críticas incluem possíveis danos à mata atlântica, a cursos d’água e ao calçamento histórico do século XVIII, além de impactos na rede de saúde, abastecimento de água e serviços públicos.
Outro ponto levantado por moradores e especialistas é a contradição entre o caráter de luxo do projeto e a história do local, marcada pelo trabalho escravizado. O grupo defende que a fazenda continue sendo um espaço de visitação cultural, pesquisa, educação patrimonial e valorização da memória histórica, sem cobrança de ingresso ou transformação do antigo terreiro de café em estacionamento.
O projeto integra o Programa Revive, inspirado em uma iniciativa portuguesa que busca recuperar imóveis históricos por meio de parcerias com a iniciativa privada. O contrato prevê que áreas de circulação e uso cultural permaneçam abertas ao público e que, ao fim da concessão, toda a estrutura seja incorporada ao patrimônio público. O Ministério do Turismo e o Iphan foram procurados para comentar as críticas, mas não se manifestaram até a última atualização. Com informações: g1
