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Instinto de caça faz parte do DNA dos cães e exige manejo adequado


Especialista alerta que comportamento natural pode gerar riscos se não for orientado corretamente.
Brincadeiras de perseguir e buscar objetos ajudam a canalizar o instinto de caça dos cães de forma segura e controlada (Foto: Reprodução Freepik). Por: Editorial | 17/01/2026 09:32

Correr atrás de insetos, perseguir aves ou tentar capturar pequenos animais é um comportamento comum entre cães e, apesar de muitas vezes parecer apenas uma brincadeira, não deve ser encarado de forma superficial. O instinto de caça é inerente à espécie e, quando ocorre em contextos inadequados, pode trazer prejuízos tanto ao animal quanto aos tutores.

De acordo com o biólogo e analista do comportamento aplicado ao condicionamento e bem-estar animal Alexandre dos Santos Borges, o comportamento está diretamente ligado à origem predadora dos cães. Mesmo após o processo de domesticação, a caça permanece como um traço natural relacionado à sobrevivência e ao sucesso evolutivo da espécie. Estímulos como movimentos rápidos, corridas ou voos são suficientes para desencadear reações como perseguir, morder e capturar.

Algumas raças apresentam maior predisposição genética para esse tipo de comportamento, especialmente aquelas historicamente selecionadas para auxiliar humanos na caça, como os cães do grupo dos terriers, entre eles Jack Russell, Fox Terrier e Yorkshire. No entanto, o instinto pode se manifestar em cães de qualquer raça, variando apenas em intensidade.

O especialista explica que esses comportamentos são autorrecompensantes e podem ser reforçados pelas consequências imediatas, o que aumenta a probabilidade de repetição. O problema surge quando a caça passa a representar risco, podendo resultar em ferimentos, transmissão de parasitas, doenças graves, intoxicações e até no desenvolvimento de comportamentos compulsivos. Em situações mais graves, o animal pode se tornar agressivo com outros pets ou até com crianças.

Alexandre destaca que o instinto de caça só pode ser considerado inofensivo quando o cão vive em um ambiente com manejo adequado, no qual suas necessidades físicas e mentais são atendidas. Nesses casos, impedir a caça em locais de risco não compromete o bem-estar do animal. Quando o comportamento é excessivo, pode indicar falhas na rotina e deve ser avaliado por um profissional.

A orientação é que os tutores não ajam por impulso ao presenciar tentativas de caça. Intervenções genéricas ou punitivas podem agravar o problema e gerar novos comportamentos indesejados. O manejo correto envolve avaliação individualizada, uso de comandos básicos e atividades lúdicas que canalizem o instinto de forma segura, como brincadeiras de buscar objetos, morder brinquedos apropriados e passeios estruturados.

O acompanhamento profissional é recomendado desde a chegada do cão ao lar, mas ajustes podem ser feitos em qualquer fase da vida. Segundo o especialista, os comportamentos não são culpa do animal, mas respostas ao ambiente em que ele vive, o que reforça a importância da educação de toda a família multiespécie.

Por fim, Alexandre ressalta que o instinto de caça não deve ser eliminado, mas manejado ao longo da vida do cão, oferecendo alternativas seguras para que ele expresse esse comportamento natural sem riscos ao próprio animal, às pessoas ou ao ambiente. Com informações:Campo Grande News




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