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Crianças desaparecidas no Maranhão mobilizam mais de mil pessoas em buscas que já duram duas semanas


Forças de segurança, voluntários e moradores se unem para tentar localizar os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos em comunidade quilombola no interior do estado.
Equipes de resgate e voluntários percorrem área de mata no Quilombo de São Sebastião dos Pretos durante as buscas pelos irmãos desaparecidos em Bacabal, no Maranhão (Foto: Reprodução/TV Globo) Por: Editorial | 19/01/2026 07:33

As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro, completaram duas semanas no interior do Maranhão sem que as crianças tenham sido localizadas. O caso mobiliza forças de segurança de diferentes estados, além de voluntários e moradores da região. A reportagem do Fantástico acompanhou o trabalho das equipes e o drama vivido pela família no Quilombo de São Sebastião dos Pretos, no município de Bacabal.

A comunidade, formada por cerca de 250 moradores, sempre teve a convivência marcada pela proximidade entre as casas, com crianças circulando livremente pelas ruas, consideradas uma extensão do quintal das famílias. Foi nesse ambiente que os irmãos desapareceram no dia 4 de janeiro. A avó das crianças, Francisca, relatou que a mãe havia avisado que os dois estavam brincando na varanda naquele dia.

Na mesma casa também estava o primo Anderson Kauã, de oito anos. Ele brincou com os irmãos, almoçou e depois foi embora. O tio das crianças, José Henrique Cardoso Reis, afirmou que viu os três juntos por volta das 13h30 e pediu que retornassem para casa.

A ausência de Ágatha e Allan foi percebida pela avó entre 15h30 e 16h. Após chamá-los e não obter resposta, a família iniciou as buscas. O avô, José Reis, explicou que inicialmente acreditaram que as crianças estivessem em casas vizinhas, algo comum na comunidade. No entanto, ao constatar que não estavam em lugar algum, moradores entraram na mata para procurar.

Com o passar das horas, a mobilização aumentou. Bombeiros dos estados do Pará e do Ceará, além do Exército, da Marinha e de voluntários, passaram a atuar na região. Mais de mil pessoas participaram das buscas, que contam com o auxílio de cães farejadores. As equipes alertaram para os riscos da área de mata fechada, que inclui armadilhas de caça e plantas cortantes, como a conhecida “tiririca”.

Durante os trabalhos, foram encontradas pegadas de criança na mata. Três dias depois do desaparecimento, o primo Kauã foi localizado por um carroceiro que recolhia palha. O menino estava sem roupas, havia perdido cerca de dez quilos, mas foi encontrado com vida. Ele se recupera e deve receber alta hospitalar nos próximos dias.

O delegado Ederson Martins informou que Kauã relatou ter tentado chegar a um pé de maracujá. Após ser orientado pelo tio a voltar para casa, entrou na mata pelo lado oposto para não ser visto, momento em que acabou se perdendo junto com os primos. As roupas do menino foram encontradas no dia 8 de janeiro, e a polícia confirmou que não houve qualquer indício de violência sexual.

Após o resgate de Kauã, as buscas se concentraram exclusivamente em Ágatha e Allan. Uma área de aproximadamente quatro quilômetros quadrados foi dividida em 45 quadrantes, monitorados com auxílio de aplicativos. O coordenador das buscas, Cleyton Cruz, explicou que Kauã foi encontrado encostado em uma palmeira e, durante a reconstituição, afirmou que nenhum adulto acompanhava as crianças e que não encontraram comida durante o período em que estiveram na mata.

O menino também contou que passaram por uma casa abandonada. O secretário de Segurança do Maranhão, Maurício Martins, afirmou que os cães farejadores confirmaram o trajeto descrito por Kauã. De acordo com informações do IPCA, os irmãos teriam se separado do primo no terceiro dia, já bastante exaustos, enquanto Kauã seguiu sozinho em busca de ajuda.

A mãe das crianças, Clarisse Cardoso Ribeiro, fez um apelo emocionado durante a reportagem. Ela pediu que, caso alguém esteja com seus filhos, que os entregue, ressaltando o vínculo afetivo e a importância deles em sua vida.

As buscas continuam, com a expectativa de que novas pistas possam levar ao paradeiro das duas crianças desaparecidas. Com informações: g1




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