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Haddad afirma que dívida pública é impactada por juros altos, e não por excesso de gastos


Ministro da Fazenda diz que governo reduziu déficit primário e defende corte da Selic, além de ampliação do papel regulatório do Banco Central.
Fernando Haddad durante entrevista ao UOL News, na qual comentou política fiscal, juros e cenário político. (Foto: Divulgação). Por: Editorial | 19/01/2026 14:32

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (19) que o principal fator de pressão sobre a dívida pública brasileira é o elevado nível dos juros reais da economia, e não o volume de gastos do governo. A declaração foi feita durante entrevista ao programa UOL News, na qual o ministro destacou a redução expressiva do déficit primário nos últimos anos.

Segundo Haddad, em dois anos o governo conseguiu reduzir em cerca de 70% o déficit primário. “O problema da dívida tem a ver com o juro real, não com o déficit, que está caindo”, afirmou. Ele ressaltou que a meta fiscal para este ano é ainda mais rigorosa do que a de exercícios anteriores, elevando o nível de exigência em relação ao resultado primário.

O ministro afirmou que, mesmo considerando exceções fiscais, como o ressarcimento de descontos indevidos a beneficiários do INSS, o déficit do ano passado ficou em 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB). Para Haddad, esse número reforça a avaliação de que o desequilíbrio fiscal não é o principal entrave. Em comparação, o déficit projetado para 2023, ainda na gestão anterior, ultrapassava 1,6% do PIB.

Queda de juros e Banco Central

Haddad também defendeu que há espaço para redução da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15%. “Eu acho que tem espaço para cortar”, disse. Apesar disso, elogiou a condução do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, principalmente diante de desafios herdados da gestão anterior, como o caso envolvendo o Banco Master.

Na avaliação do ministro, o Banco Central deveria ampliar seu perímetro regulatório e assumir a fiscalização dos fundos de investimento, hoje sob responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo ele, há uma forte intersecção entre fundos, sistema financeiro e contabilidade pública.

Apelido, economia e eleições

Questionado sobre o apelido “Taxad”, atribuído a ele nas redes sociais, Haddad disse não se incomodar e afirmou ter orgulho de ser lembrado como o ministro que ampliou a tributação sobre os mais ricos. Ele citou a taxação de offshores, fundos familiares fechados, paraísos fiscais e dividendos, além da tributação de bancos, casas de apostas e bilionários.

Sobre o cenário político, Haddad avaliou que a economia não será necessariamente decisiva nas próximas eleições presidenciais, tanto no Brasil quanto no exterior. De acordo com ele, pesquisas indicam que temas como segurança pública e combate à corrupção têm ganhado mais relevância. O ministro também afirmou que não pretende disputar cargos eletivos nas próximas eleições, embora o assunto ainda esteja em diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com informações: Agência Brasil.




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