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Hoje é Terça-feira, 20 de Janeiro de 2026.
Donald Trump durante pronunciamento na Casa Branca no primeiro ano de seu segundo mandato, marcado por decisões controversas e repercussão internacional (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein).
Por: Editorial | 20/01/2026 09:35
Donald Trump completa nesta terça-feira (20) um ano desde que reassumiu a Presidência dos Estados Unidos. O segundo mandato do republicano tem sido marcado por decisões controversas e ações consideradas imprevisíveis, que provocaram impactos profundos tanto no cenário interno quanto na política internacional. Em apenas 12 meses, Trump adotou medidas que resultaram em crises diplomáticas, questionamentos jurídicos e forte reação de organismos internacionais.
Logo no início do mandato, o presidente intensificou a política migratória prometida durante a campanha. Mais de 20 mil agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) foram deslocados para operações em todo o país, ampliando prisões e deportações. Até dezembro, cerca de 605 mil imigrantes foram deportados e outros 1,9 milhão deixaram o país voluntariamente. As ações geraram protestos, especialmente após a morte de uma cidadã americana durante uma abordagem em Minnesota.
No primeiro dia de governo, Trump concedeu perdão presidencial a aproximadamente 1.500 pessoas envolvidas na invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores do então presidente tentaram impedir a certificação da vitória de Joe Biden nas eleições de 2020. A medida foi interpretada por críticos como um ataque direto ao sistema judiciário e às instituições democráticas.
Na área econômica, Trump surpreendeu o mercado internacional ao anunciar um aumento expressivo nas tarifas de importação de produtos de 185 países, com alíquotas que chegaram a 50%. O chamado “tarifaço global” afetou diretamente cadeias produtivas e relações diplomáticas. O Brasil inicialmente teve tarifas fixadas em 10%, mas posteriormente sofreu sobretaxas adicionais, retiradas apenas após negociações entre os governos dos dois países.
Internamente, o presidente também mirou universidades, imprensa e o sistema jurídico. Cortes de verbas e investigações atingiram instituições como Harvard e Columbia. Veículos de comunicação passaram a enfrentar processos bilionários movidos pelo governo, enquanto advogados foram ameaçados com sanções caso atuassem em ações consideradas “frívolas” contra a administração federal.
Na política externa, Trump reforçou a aliança com Israel, mediou um cessar-fogo em Gaza e autorizou ataques a instalações nucleares do Irã, encerrando um conflito que deixou quase mil mortos. A relação com a Rússia seguiu instável, alternando elogios e críticas a Vladimir Putin, enquanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, foi alvo constante de ataques verbais e constrangimentos públicos.
Operações militares no Caribe e no Pacífico, sob o argumento de combate ao tráfico de drogas, resultaram em mais de 100 mortes e levaram a ONU a classificar as ações como execuções extrajudiciais. Já na América do Sul, uma ofensiva contra a Venezuela culminou na captura de Nicolás Maduro, agravando a tensão entre os Estados Unidos e países latino-americanos.
Outras decisões polêmicas incluem a retirada de vacinas do calendário infantil recomendado, após a nomeação de Robert Kennedy Jr. para a Secretaria de Saúde, e o encerramento da USAID, agência responsável pela ajuda humanitária norte-americana no mundo. O ano também foi marcado pela divulgação parcial de documentos do caso Jeffrey Epstein, que revelaram vínculos do presidente com o bilionário, aumentando a pressão sobre o governo.
Ao completar um ano de mandato, Trump segue conduzindo uma gestão marcada por confrontos institucionais, forte polarização interna e ações unilaterais que continuam a gerar incertezas nos Estados Unidos e no exterior. Com informações: g1
