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Vacinação em Campo Grande segue abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, enquanto Mato Grosso do Sul apresenta recuperação mais consistente após a pandemia (Foto: Henrique Kawaminami).
Por: Editorial | 21/01/2026 13:33
Campo Grande não atingiu, em 2025, as metas de cobertura vacinal estabelecidas pelo Ministério da Saúde para o Programa Nacional de Imunizações (PNI), que variam entre 90% e 95% para a maioria dos imunizantes. Dados oficiais mostram que apenas algumas vacinas ultrapassaram o patamar mínimo recomendado na Capital, enquanto outras permaneceram significativamente abaixo do ideal.
De acordo com informações do Ministério da Saúde, as vacinas que superaram 90% de cobertura em Campo Grande foram a BCG, com índice de 111%, o imunizante contra o rotavírus, com 93,32%, a pneumocócica 10-valente, com 96,50%, e a primeira dose da tríplice viral, que atingiu 90,61%. Todas as demais vacinas do calendário infantil ficaram abaixo da meta.
Entre os imunizantes com menor cobertura estão a vacina contra a febre amarela, que alcançou 75,68%, a varicela, com 76,10%, e a segunda dose da tríplice viral, que chegou a 77,03%. Também apresentaram índices insuficientes a hepatite A (82,80%), hepatite B (84,77%), a vacina inativada contra poliomielite (VIP), com 88%, a pentavalente, com 84,55%, e a meningocócica C, que atingiu 89,43%.
Em nota, a Prefeitura de Campo Grande reconheceu que não conseguiu alcançar a meta de 95% de cobertura vacinal. A administração municipal informou que, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), foram realizadas diversas ações ao longo do ano para ampliar e qualificar os índices de imunização. Entre as estratégias adotadas estão o funcionamento de unidades de saúde em horário estendido e a oferta de vacinação em pontos externos durante fins de semana e feriados, com o objetivo de reduzir barreiras logísticas e ampliar o acesso da população aos imunizantes.
Apesar dessas iniciativas, os índices permaneceram abaixo do recomendado para parte significativa do calendário vacinal. Em contrapartida, o cenário estadual é mais positivo. Em Mato Grosso do Sul, a maioria das vacinas atingiu ou superou as metas definidas pelo Ministério da Saúde. A única exceção foi a vacina contra a febre amarela, que registrou cobertura de 80,3%. A hepatite A alcançou 90,8%, a pentavalente chegou a 95% e a vacina contra a poliomielite atingiu 96,3%. As demais vacinas previstas no PNI ultrapassaram 100% de cobertura no Estado.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), o avanço nos índices estaduais é resultado de investimentos e ações estratégicas realizadas ao longo de 2025, com destaque para o fortalecimento do microplanejamento, estratégia do Ministério da Saúde voltada à melhoria das coberturas vacinais. A SES informou ainda que repassou recursos aos municípios para ações de comunicação, busca ativa de não vacinados, ampliação do horário de funcionamento das salas de vacinação e identificação de faltosos.
O governo estadual também destacou a intensificação de ações em escolas por meio da campanha “Aluno Imunizado”, que envolveu estudantes, professores e equipes de saúde com foco na ampliação da cobertura vacinal entre crianças e adolescentes.
Dados históricos indicam que os índices de vacinação sofreram queda expressiva durante a pandemia de Covid-19, tanto em Campo Grande quanto em Mato Grosso do Sul. Nos anos seguintes, houve recuperação gradual, mais consistente no âmbito estadual, enquanto a Capital apresentou avanço mais lento, mantendo coberturas abaixo da meta em parte do calendário.
Para o pediatra Alberto Costa, dois fatores principais explicam a redução da vacinação: o perfil de pais mais jovens e a disseminação de informações falsas sobre imunizantes, intensificada durante e após a pandemia. Segundo ele, muitos pais não presenciam mais doenças imunopreveníveis que eram comuns no passado e, por isso, acabam negligenciando a vacinação dos filhos.
O médico alerta que a manutenção de coberturas vacinais baixas aumenta o risco de reintrodução de doenças já controladas. Ele cita como exemplo surtos recentes de hepatite A em outros países, como os Estados Unidos, ressaltando que se trata de uma doença prevenível por uma vacina segura, eficaz e disponível gratuitamente no Brasil. Com informações: Campo Grande News
