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Áudios expõem esquema de bebidas adulteradas com metanol ligado a mortes em São Paulo


Mensagens extraídas de celular de falsificadora condenada revelam bastidores da produção e da distribuição clandestina de bebidas na Grande São Paulo.
Operação policial em fábrica clandestina de bebidas no ABC Paulista durante investigação sobre adulteração com metanol (Foto: Fantástico) Por: Editorial | 26/01/2026 07:27

A Polícia Civil de São Paulo investiga novos desdobramentos dos casos de intoxicação por metanol registrados no estado, após a divulgação de áudios retirados do celular de uma mulher presa e condenada por falsificação de bebidas, que também é investigada por homicídio. As mensagens revelam detalhes sobre o funcionamento do esquema de adulteração e indicam que ela teria sido responsável pela morte de pelo menos duas pessoas.

De acordo com as investigações, o grupo utilizava etanol na produção de bebidas falsificadas, prática já ilegal. No entanto, a polícia acredita que, em determinado momento, o álcool usado na fabricação estava contaminado com metanol, substância altamente tóxica, o que provocou uma série de casos de intoxicação.

Segundo a delegada responsável pelo caso, os envolvidos teriam utilizado álcool comprado em postos de combustível, que possivelmente estava adulterado com metanol. As duas mortes confirmadas são de homens que consumiram bebidas no mesmo bar, localizado na Zona Leste de São Paulo, que foi interditado em outubro. O proprietário do estabelecimento afirmou ter adquirido bebidas de um revendedor, que posteriormente apontou a falsificadora como fornecedora.

A suspeita foi presa em flagrante em uma fábrica clandestina de bebidas em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. No local, a polícia encontrou recipientes contendo metanol, além de documentos e o celular apreendido. A análise desse material permitiu mapear a rede de distribuição e identificar diversos estabelecimentos que compraram bebidas da fábrica clandestina por meio de intermediários ligados ao esquema.

As mensagens obtidas mostram que comerciantes já desconfiavam da qualidade do produto. Em uma delas, uma revendedora relatou a preocupação de uma cliente sobre o forte cheiro de álcool e o risco de problemas de saúde caso consumidores acreditassem estar ingerindo bebidas como vodca. Após o surgimento dos primeiros casos de intoxicação, alguns comerciantes demonstraram receio quanto à repercussão, e a fornecedora tentou tranquilizar um dono de bar, que optou por recolher o produto.

Presa em outubro e julgada em dezembro, a mulher foi condenada em primeira instância a sete anos de prisão em regime fechado pelo crime de falsificação de bebidas. Durante o julgamento, ela negou vender bebidas adulteradas e alegou que o local onde a fábrica foi encontrada era uma garagem de uso comum, embora tenha admitido saber da existência de materiais utilizados na produção.

Outros investigados incluem familiares e pessoas próximas à suspeita. Um dos envolvidos confessou que falsificava vodcas utilizando bebidas mais baratas, mas negou o uso de metanol, ao mesmo tempo em que confirmou que ela manipulava bebidas. As defesas de alguns investigados não foram localizadas, e o advogado da condenada questiona a legalidade do acesso da polícia aos dados do celular apreendido.

As autoridades afirmam que as bebidas falsificadas ligadas ao esquema causaram duas mortes confirmadas e deixaram outro homem com sequelas graves. Há suspeita de que existam mais vítimas, especialmente na região onde a fábrica operava. Dados do Ministério da Saúde indicam que, até a última sexta-feira, foram registrados 25 casos fatais no país entre 76 pessoas intoxicadas após consumir bebidas com a substância. O número de casos de adulteração cresceu mais de 400% entre 2024 e 2025, aumentando o alerta para comerciantes e consumidores. Com informações: g1




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