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Aylla Ribeiro Santos, conhecida como Aylla Ferraz, comemora o primeiro emprego com carteira assinada aos 35 anos, conquistado após anos de busca por oportunidade no mercado formal (Foto: Aylla Ferraz/Arquivo pessoal)
Por: Editorial | 29/01/2026 07:15
Aylla Ribeiro Santos, mulher trans conhecida como Aylla Ferraz, conquistou seu primeiro emprego com carteira assinada aos 35 anos e emocionou milhares de pessoas ao compartilhar a conquista em um vídeo nas redes sociais. Atualmente, ela trabalha como operadora de caixa em um atacadista em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.
A trajetória até a vaga foi marcada por anos de tentativas frustradas. Aylla contou que participava de mutirões de empregabilidade trans desde a madrugada, mas enfrentava rejeições frequentes por não se encaixar em padrões estéticos impostos pelo preconceito. Segundo ela, a exigência de ser considerada “passável” — termo usado para pessoas trans que são percebidas como cisgênero — dificultou ainda mais o acesso ao mercado formal.
Antes de conquistar o emprego atual, Aylla trabalhou como faxineira, empregada doméstica e cozinheira, sempre sem registro em carteira. Natural de Turilândia, no Maranhão, ela se mudou para Belém ainda criança e, em 2017, foi para Mogi das Cruzes, onde se estabeleceu e se casou com Hélio Lins.
Com escolaridade até o 4º ano do ensino fundamental, Aylla afirma que se surpreendeu ao ser contratada para atuar no caixa, mas relatou ter recebido apoio e treinamento da empresa. Ela agora planeja crescer profissionalmente e investir nos estudos.
Aylla também destacou que o preconceito foi um dos motivos que a levou a abandonar a escola ainda jovem, devido ao bullying e à discriminação. Hoje, ela afirma se sentir respeitada no ambiente de trabalho e recebeu apoio nas redes sociais, incluindo curtidas de artistas como Pabllo Vittar.
Cenário nacional:
Apesar da história inspiradora, dados mostram que pessoas trans ainda enfrentam forte exclusão no mercado de trabalho: apenas 0,38% das vagas formais no Brasil são ocupadas por essa população. Além disso, o Brasil segue como o país mais perigoso para pessoas trans no mundo. Em 2025, ao menos 80 pessoas trans e travestis foram assassinadas, segundo a Antra. Com informações: g1
