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Peças de artesanato de barro produzidas em Santana do São Francisco passam a contar com selo de Indicação Geográfica, que reconhece a tradição e a reputação do produto no território (Foto: Igor Matias).
Por: Editorial | 04/02/2026 09:35
O artesanato de barro de Santana do São Francisco, município localizado a 114 quilômetros de Aracaju, em Sergipe, tornou-se a mais nova Indicação Geográfica (IG) brasileira. O registro foi concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) nesta terça-feira (3), elevando para 153 o total de IGs reconhecidas no país. Deste conjunto, 19 são referentes ao artesanato, e esta é a segunda IG do estado sergipano, após a renda irlandesa de Divina Pastora, certificada em 2012.
Com o reconhecimento, o artesanato de barro de Santana do São Francisco passa a ter sua origem e reputação oficialmente vinculadas ao território, reforçando o valor cultural e material da produção local. Para Maíra Fontenele Santana, analista de projetos da Unidade de Inovação do Sebrae Nacional, a conquista fortalece o papel do artesanato como expressão da identidade regional e amplia as oportunidades para os produtores. Segundo ela, o registro de IG agrega valor ao produto, oferece maior segurança jurídica e contribui para a preservação das tradições do território.
(Foto: Igor Matias).
Os benefícios do reconhecimento vão além do impacto direto nas vendas. De acordo com Maíra, a Indicação Geográfica estimula o turismo local, amplia as possibilidades de parcerias com o poder público e com empresas privadas, melhora a governança da região e reforça o sentimento de pertencimento da comunidade à sua própria identidade cultural.
Atualmente, as 19 IGs de artesanato reconhecidas no Brasil envolvem 263 municípios distribuídos em 12 unidades da Federação, abrangendo as regiões Nordeste, Norte, Sudeste e Centro-Oeste. O Nordeste concentra a maior parte desses registros, com 13 IGs. Ainda segundo o Sebrae, há dois pedidos de Indicação Geográfica de artesanato em análise no INPI: a cerâmica de Rosário, no Maranhão, e as figuras de artesanato em argila de Taubaté, em São Paulo.
O Sebrae atua de forma estratégica em diferentes etapas do processo de reconhecimento das IGs, oferecendo apoio técnico, capacitações e auxílio na estruturação da governança local. Essas ações contribuem para agregar valor aos produtos e impulsionar o desenvolvimento econômico das regiões produtoras.
As Indicações Geográficas são identificadas por meio de um selo aplicado aos produtos e funcionam como um importante diferencial competitivo em relação a itens similares no mercado. Existem dois tipos de IG: a Denominação de Origem (DO) e a Indicação de Procedência (IP), modalidade concedida ao artesanato de barro de Santana do São Francisco. Das 153 IGs brasileiras, 121 são Indicações de Procedência e 32 são Denominações de Origem.
A Denominação de Origem exige comprovação técnica e científica de que fatores geográficos específicos, como clima, solo e relevo, conferem características únicas ao produto. Já a Indicação de Procedência está relacionada à notoriedade ou reputação de uma determinada região como centro produtor reconhecido.
(Foto: Igor Matias).
A IG do artesanato de barro de Santana do São Francisco é a terceira concedida em 2026. As duas anteriores foram registradas no mês de janeiro, ambas no Paraná, para as tortas de Carambeí e para o café da Serra de Apucarana.
A valorização do artesanato brasileiro é uma das frentes permanentes de atuação do Sebrae. Entre as iniciativas está o Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), que completa dez anos em 2026. Localizado no Rio de Janeiro, o espaço funciona como uma vitrine do artesanato nacional, promovendo exposições e conteúdos que evidenciam a importância cultural, social e econômica do setor. Com informações: Agência Sebrae
