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Estimativa do Inca evidencia diferenças regionais na incidência e mortalidade do câncer no Brasil, com destaque para tumores amplamente preveníveis que ainda causam mortes em áreas mais pobres (Foto: g1)
Por: Editorial | 04/02/2026 15:13
O Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, de acordo com a nova estimativa divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). O levantamento evidencia desigualdades profundas: enquanto parte da população enfrenta cânceres associados ao envelhecimento e ao estilo de vida urbano, outra convive com tumores preveníveis, diagnosticados tardiamente e concentrados em regiões mais pobres.
O câncer já se consolidou como um dos principais desafios de saúde pública no país, podendo se tornar a principal causa de morte, superando doenças cardiovasculares. Os dados devem orientar políticas públicas voltadas à ampliação do acesso à saúde e ao rastreio precoce. O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a prioridade do tema durante a apresentação das estimativas.
Um país, dois padrões de câncer
As estimativas mostram que o perfil do câncer varia conforme a região, refletindo desigualdades no acesso a serviços de saúde, prevenção e condições de vida.
Norte e Nordeste:
Nessas regiões, predominam tumores associados a falhas estruturais de saúde pública. O câncer do colo do útero é a segunda neoplasia mais incidente entre mulheres, apesar de ser prevenível com vacinação contra o HPV e rastreamento adequado. O câncer de estômago é comum entre homens, relacionado a fatores socioeconômicos, infecções e diagnóstico tardio.
Sul e Sudeste:
Predominam cânceres ligados ao envelhecimento e ao estilo de vida urbano, como mama, próstata, cólon e reto, padrão semelhante ao de países de renda alta. O câncer colorretal preocupa pelo aumento da incidência e da mortalidade, em parte por ausência de rastreio nacional estruturado. As taxas de câncer de mama ilustram o contraste regional: Norte (33 casos/100 mil), Sudeste (88/100 mil) e Sul (77/100 mil).
Principais tipos de câncer e mortalidade
Entre mulheres, o câncer de mama lidera em incidência, com cerca de 80 mil novos casos por ano. Já o câncer do colo do útero permanece preocupante, com quase 20 mil novos casos anuais e mais de 7 mil mortes, mesmo sendo prevenível.
O câncer de cólon e reto cresce em incidência e mortalidade, refletindo hábitos de vida pouco saudáveis e falta de rastreio precoce.
Os cânceres de traqueia, brônquio e pulmão continuam como principal causa de morte por câncer no país, apesar de queda gradual na mortalidade nos últimos anos. O contraste evidencia que os tumores mais frequentes nem sempre são os mais letais.
Desigualdade social agrava o risco
Especialistas destacam que o aumento de casos de câncer está ligado ao envelhecimento populacional e ao crescimento de fatores de risco, como obesidade, sedentarismo, má alimentação, álcool e tabagismo. Infecções e baixa cobertura vacinal também contribuem para incidência elevada de tumores relacionados ao HPV e à hepatite B.
A desigualdade social impacta diretamente o prognóstico: populações mais pobres recebem diagnóstico em fases avançadas, aumentando a mortalidade em duas a três vezes em comparação a países desenvolvidos.
Conclusão
Os especialistas reforçam que a estimativa de 2026 evidencia um Brasil desigual no enfrentamento do câncer. Enquanto algumas regiões avançam em prevenção e diagnóstico precoce, outras ainda enfrentam mortalidade elevada por doenças preveníveis. A prioridade urgente é ampliar a prevenção, o rastreio e a detecção precoce, especialmente em áreas menos favorecidas. Com informações: g1
