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O que está por trás do “fevereiro sangrento” do Bitcoin após queda de mais de 20% em poucos dias


Vendas massivas de ETFs, aversão global ao risco, derretimento das ações de tecnologia e mudanças na política monetária dos Estados Unidos explicam a forte correção da principal criptomoeda do mercado.
Bitcoin acumula forte desvalorização em fevereiro de 2026 em meio à aversão ao risco e saídas de investidores institucionais (Foto: Reprodução/Agências). Por: Editorial | 07/02/2026 10:35

O Bitcoin enfrenta um dos períodos mais turbulentos dos últimos anos neste início de 2026. Entre outubro de 2025 e o início de fevereiro deste ano, a criptomoeda acumulou queda próxima de 48%, saindo de níveis acima de US$ 121 mil para abaixo de US$ 70 mil. Apenas entre 31 de janeiro e 5 de fevereiro, o recuo foi de cerca de 25%, configurando o que analistas já chamam de “fevereiro sangrento”.

A forte desvalorização ocorre após um 2025 marcado por euforia, recordes históricos e discursos políticos favoráveis ao setor cripto, incluindo declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que defendia o país como um polo global de criptomoedas. Com a virada do ano, no entanto, o mercado passou a devolver praticamente todos os ganhos obtidos após a reeleição do republicano.

Levantamento da consultoria Elos Ayta mostra que o desempenho parcial de fevereiro já figura entre os piores meses da série histórica recente do Bitcoin, em reais, desde 2020. Mesmo considerando apenas os cinco primeiros dias do mês, a intensidade da queda coloca fevereiro de 2026 como o terceiro pior período, atrás apenas das grandes correções registradas em 2021 e 2022.

Especialistas apontam que o tombo não ocorreu de forma isolada. O cenário global é de maior aversão ao risco, com investidores reduzindo exposição a ativos voláteis diante de juros elevados e incertezas econômicas. Esse movimento atingiu em cheio o setor de tecnologia em Wall Street, que passa por uma correção significativa, e reforçou a correlação entre ações de empresas de inovação e o mercado de criptomoedas.

Empresas como Amazon, Oracle, Palantir e Qualcomm acumulam quedas expressivas em 2026, pressionadas por preocupações com retorno sobre investimentos em inteligência artificial, endividamento e projeções de crescimento. Nesse contexto, o Bitcoin passou a se comportar como um ativo de risco semelhante às ações de tecnologia, sofrendo com o ajuste generalizado de portfólios.

Outro fator relevante foi a saída de recursos dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos. Após impulsionarem a alta em 2024 e 2025, esses fundos passaram a registrar retiradas bilionárias desde o último trimestre do ano passado. Em alguns dias, as saídas superaram US$ 400 milhões, aumentando a pressão vendedora e desencadeando liquidações de posições alavancadas.

A nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve também contribuiu para o mau humor dos mercados. Com perfil mais conservador, Warsh é associado a uma política monetária mais rígida, com menor tolerância à inflação e redução de liquidez no sistema financeiro, cenário historicamente desfavorável para criptomoedas.

Além disso, empresas listadas em bolsa que adotaram o Bitcoin como estratégia central de caixa passaram a enfrentar dificuldades adicionais. Com a queda do ativo, essas companhias sofrem tanto pela desvalorização em seus balanços quanto pela maior dificuldade de captação em um mercado mais cauteloso. A incerteza regulatória nos Estados Unidos, com atrasos na tramitação de leis específicas para o setor, reforça o ambiente de desconfiança.

O conjunto desses fatores ajuda a explicar por que o Bitcoin atravessa um dos seus momentos mais delicados, exposto não apenas às dinâmicas internas do mercado cripto, mas também às mudanças no cenário macroeconômico global. Com informações: IstoÉDinheiro 




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