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Plataforma Roblox é alvo de investigações por conteúdos inadequados e riscos de aliciamento de menores (Foto: Reprodução)
Por: Editorial | 09/02/2026 13:11
Roblox vira alvo de autoridades após casos de aliciamento e conteúdos impróprios; plataforma desperta preocupação de famílias
Plataforma usada majoritariamente por crianças reúne milhares de jogos criados por usuários e é apontada por policiais como porta de entrada para criminosos que atuam contra menores.
Um dos ambientes virtuais mais populares entre crianças e adolescentes, o Roblox, plataforma com milhares de jogos criados pelos próprios usuários, tem sido alvo crescente de denúncias e investigações no Brasil. Autoridades apontam que, por trás do visual lúdico e da promessa de diversão, o espaço abriga riscos sérios como conteúdos inadequados, dificuldades de monitoramento e, principalmente, um cenário fértil para a atuação de aliciadores de menores. Ao entrar no Roblox, o usuário cria rapidamente um avatar e escolhe um apelido sugerido pela própria plataforma. A criação de conta é simples e, no caso de quem afirma ser maior de idade, nem documentos ou e-mail são exigidos.
Segundo dados da plataforma, 144 milhões de usuários jogam diariamente, sendo 50 milhões menores de 13 anos e 57 milhões entre 13 e 17 anos. A maior parte acessa pelo celular, o que torna o jogo ainda mais presente no cotidiano das famílias. No início do ano, o Roblox implementou verificação facial para tentar identificar a idade dos jogadores e restringir o chat para crianças, o que gerou protestos dentro da própria plataforma.
Embora muitos games indiquem idade mínima para acesso, a própria empresa afirma que essa classificação não tem caráter formal e apenas sinaliza restrições. Como grande parte dos conteúdos é criada por usuários, diversos ambientes apresentam temas inadequados para menores. Autoridades relatam a existência de bailes funk com músicas sexualizadas, jogos com apologia a facções, simulações de ataques em escolas, ambientes que induzem ao suicídio, jogos que oferecem recompensa por violência e até mundos com venda de crianças. A delegada Lysandrea Salvariego Colabuono, coordenadora do Núcleo de Observação e Análise Digital da Polícia Civil de São Paulo, afirma que jogos perigosos são denunciados à plataforma, mas podem levar semanas para serem retirados do ar.
O núcleo especializado relata que 90% das vítimas monitoradas em investigações iniciaram contato com agressores dentro do Roblox. O modo de atuação é silencioso: adultos se passam por crianças, estabelecem vínculos afetivos, conduzem conversas para outros aplicativos e iniciam manipulação emocional até conseguir fotos ou vídeos íntimos das vítimas. Casos recentes ilustram o problema em diferentes regiões. Em Curitiba (PR), uma menina de 11 anos passou a ser chantageada após interagir em um game de construção de zoológicos. Em Porto Alegre (RS), uma menina de 12 anos teve fotos íntimas divulgadas por um agressor de 16 anos, identificado em Ribeirão Preto, cujo celular continha imagens de violência extrema e apologia ao nazismo.
O Fantástico procurou a empresa, que disse em nota que suas medidas de segurança vão muito além do que outras plataformas fazem. O Roblox afirma que não permite o compartilhamento de imagens no chat, que a comunicação não é criptografada para permitir monitoramento e que proíbe conteúdos que promovam atividades ilegais ou eventos sensíveis do mundo real. A empresa ressalta que trabalha para detectar e remover tais conteúdos por meio de verificações humanas e automatizadas, oferecendo ferramentas de denúncia.
A discussão ocorre paralelamente à implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital) no Brasil, que começa a valer em março de 2026 e estabelece regras mais rígidas para proteção de menores. Globalmente, países como Austrália e Espanha já restringem o uso, enquanto na Califórnia, famílias movem processos contra empresas de tecnologia por criarem ambientes nocivos. Com informações: g1
