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'O agronegócio não precisa da Amazônia', diz ministra da Agricultura


Foto: Divulgação Por: | 28/05/2023 18:08

O agronegócio não precisa das terras da Amazônia para expandir sua produção no País. A declaração da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, é feita no momento em que o Brasil volta a protagonizar números de registros de desmatamento na maior floresta tropical do planeta, deixando a comunidade internacional em situação de alerta e expondo o País com risco de perder investimentos . O agro, diz Tereza, tem crescido nas áreas já desmatadas e na Amazônia, com seu clima e terras diferentes das demais regiões, não é atraente, além de não contar com infraestrutura logística. "Não precisamos da Amazônia. E eu sou uma defensora intransigente de zerar ou desmatamento ilegal", disse, em entrevista ao Estadão .

Uma ministra diz que parte das críticas ao País está avaliando os interesses comerciais e de concorrência, os bancos brasileiros devem reduzir seus juros no setor, em vez de criticar políticas ambientais do governo, e em que há agro, em meio a pandemia, tem ampliado exportação e consumo interno. Leia os principais trechos da entrevista:

Nos últimos dias, a China paralisou a importação de carne de alguns frigoríficos brasileiros. O que ocorreu?

Estamos respondendo a todos os questionamentos dos chineses. Não houve nada de errado com os frigoríficos, que estão testando todos os seus funcionários em relação a covid-19. Aqui tomamos aqui todas as precauções com as pessoas. Estamos conversando e explicado isso. Muitas vezes, acontece que os chineses não entendem nossa legislação, não compreendem como o Ministério Público pode, eventualmente, ser contra uma porta de governo, por exemplo. Acham que é tudo a mesma coisa. Foi um mal entendido em relação a alguns trabalhadores que já estavam afastados, por causa da covid-19.

Qual o impacto da covid-19 no agronegócio?

De maneira geral, o setor tem crescido. Na área de proteína, por exemplo, tem crescido nesse momento, dentro e fora do Brasil. O consumo não caiu. No agro, uma área de proteína é a que mais empregou pessoas. Eu penso que, no meio dessa tragédia, ocorreu uma coisa boa. Como cidades, que desconheciam ou tinham esquecido a importância da agropecuária para o País, agora estão mais conectadas ao setor. Com uma pandemia, o tema do risco de desabastecimento com pessoas, que sensibiliza para a importância do país bem abastecido, ou que eleva o nível de segurança nacional. Somos autossuficientes em quase tudo.

O avanço do agronegócio sobre a Amazônia é uma realidade. Uma senhora acha que a agricultura precisa, de fato, entrar na Amazônia para aumentar sua produção?

Não precisa. Hoje, com as necessidades da população no Brasil e em todo o mundo, não precisa. E não se trata assim. A Amazônia não tem logística para tirar produção. Você tem que fazer estrada, aumentar porto, ferrovia. Uma região não possui essa infraestrutura. Além disso, nossa tecnologia de agricultura foi feita para regiões como o cerrado, no sul e sudeste. E essa tecnologia muda conforme a região.

A comunidade internacional tem criticado duramente ou aumento nos índices de desmatamento da Amazônia. O governo não deve incentivar a produção para essa região?

Isso já é feito. Hoje, um povo não precisa nem incentivar. Se você olhar o nosso desenvolvimento nos últimos anos na pecuária, por exemplo, vai ver que o setor teve um aumento enorme na reprodução, mas não na área utilizada, e assim acontece com toda a agricultura. Nos últimos 40 anos, nossa área plantada cresceu 32%, enquanto aumentou 385%. E isso deve ser feito em pesquisa, em nossa tecnologia. Preservar o meio ambiente é uma condição fundamental para o agricultor e ele está mais consciente disso.

Como uma senhora recebeu uma carta das instituições financeiras internacionais, que criticou ou desmatou no País?

Não sou muito vinculado a críticas, o que eu acho é que alguém tem que resolver o problema. Mas acontece que, às vezes, existem outros interesses comerciais, que não são algo pontual e ligados apenas ao meio ambiente. Por que so Brasil? Essa é uma pergunta que as pessoas precisam fazer. Eu não tenho mais idade para acreditar no Papai Noel. Então, o que vejo é que existe uma desinformação, algumas vezes, sobre algumas coisas. Fora isso, é preciso entender que o Brasil é uma referência mundial no agronegócio. E depois que assinamos o Acordo entre o Mercosul e a União Europeia, os ataques iniciam a subir de tom.

A senhora atribui como críticas ambientais a essa concorrência no setor?

Sabemos que há uma parte política nisso, que é contrária ao governo, e tem essa concorrência, que entra muito no mercado europeu e nos EUA. Nos cinco primeiros meses do ano, conforme as tarifas do agronegócio, US $ 42 bilhões, uma alta de 7,9% em relação ao mesmo período no ano anterior. Por outro lado, também sabemos que o próprio mercado financeiro passou a olhar o setor com outros olhos. O ministério lançou uma política financeira verde para uma agricultura sustentável se capitalizar. Iniciativas como a Climate Bonds Initiative (CBI), que financia projetos verdes, têm o Brasil como principal referência mundial

Mas como críticas ambientais não vêm apenas de fora. Os maiores bancos brasileiros, como Bradesco e Itaú, também alertaram sobre o assunto.

Entendendo que eles têm os motivos deles, eu quero entender. Agora, você também acha que está na hora de os bancos brasileiros investirem em uma agricultura com juros mais baratos, investir em boa agricultura, moderna e sustentável, e não apenas no governo colocar dinheiro para baixar os juros. No Brasil, os juros são muito altos. Talvez, esses recursos sejam mais democratizados, melhore ainda mais. Eu convido o Bradesco, o Itaú, para apostar na agricultura. Venham colocar linhas de crédito de tamanho que precisam de agricultura, que usam retorno e o Brasil também terá seu retorno no meio ambiente.

Há comentários de que a senhora poderia deixar o ministério. Qual é a situação da senhora hoje no governo?

O meu trabalho aqui é tão instigante, tão prazeroso. Eu nasci produtora rural. Meu pai era engenheiro agrônomo, eu sou engenheiro agrônomo, trabalhei na vida inteira com isso. Então, veja aqui os desafios que podemos caminhar e acelerar no campo da agricultura. Agora, tenho a noção de que isso aqui é uma carga de confiança, e quem é o presidente. Se amanhã ele se irritar comigo ou tiver alguma coisa ... Eu tenho, faço presidente, um tratamento tão respeitoso. Eu não tenho nenhum motivo hoje para estar desgastado com o governo. Aqui, tem muita coisa para fazer e, por enquanto, tem-me dado muito prazer, porque sinto que as coisas estão andando e evoluindo.

ESTADÃO CONTEÚDO



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