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PF deflagra operação contra rede transnacional de crimes sexuais e divulgação de vídeos de abuso na internet


Investigação iniciada em 2025 com apoio da Europol levou à prisão de três suspeitos e ao cumprimento de mandados em cinco estados; vítimas eram mulheres dopadas antes dos crimes.
Agentes da Polícia Federal durante cumprimento de mandados na operação contra crimes de abuso sexual no ambiente digital (Foto: Divulgação/PF) Por: Editorial | 11/02/2026 13:05

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (11), uma operação de combate a crimes contra a dignidade sexual praticados no ambiente digital e à disseminação de vídeos de abuso sexual. A ação é resultado de uma investigação iniciada em 2025, após o recebimento de informações de cooperação internacional por meio da Europol, envolvendo mais de 20 países.

De acordo com as apurações, brasileiros integrariam uma rede criminosa transnacional dedicada à produção, difusão e troca de vídeos de abusos sexuais cometidos contra mulheres em estado de sedação. As investigações apontam que os suspeitos utilizavam medicamentos com propriedades sedativas para dopar as vítimas, cometer os crimes, registrar as agressões em vídeo e posteriormente compartilhar o conteúdo em sites e plataformas digitais.

Segundo informações obtidas pela TV Globo, tanto as vítimas quanto os alvos da operação são brasileiros. Até o momento, três pessoas foram presas nos estados de São Paulo, Bahia e Ceará. A Polícia Federal não divulgou a identidade dos detidos nem as cidades onde ocorreram as prisões.

Além das prisões, agentes federais cumpriram sete mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados nos estados de São Paulo, Bahia, Ceará, Pará e Santa Catarina. Durante a operação, foram apreendidos equipamentos eletrônicos, dispositivos de armazenamento de dados, celulares, computadores e outros materiais que podem estar relacionados às atividades criminosas.

As mensagens trocadas entre integrantes da rede revelaram discussões detalhadas sobre o uso de medicamentos sedativos, incluindo referências a marcas comerciais e possíveis efeitos adversos das substâncias, o que demonstra planejamento e conhecimento técnico por parte dos envolvidos.

A atuação do grupo apresenta semelhanças com o caso que chocou a França envolvendo Gisèle Pelicot, no qual mulheres eram dopadas por seus próprios companheiros para que os crimes fossem cometidos e registrados em vídeo. De acordo com os investigadores, entre os alvos da operação no Brasil estão homens suspeitos de dopar as próprias companheiras para praticar os abusos e divulgar as imagens na internet.

A Polícia Federal também identificou indícios de misoginia nas interações entre os investigados, caracterizadas por manifestações de ódio, repulsa e objetificação das mulheres. Segundo a corporação, esses elementos reforçam a necessidade de uma resposta estatal integrada no combate a esse tipo de crime.

Os investigados poderão responder por estupro de vulnerável e por divulgação de cena de estupro ou de estupro de vulnerável, além de outras tipificações penais que possam ser identificadas no decorrer das investigações. Com informações: g1




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