|
Hoje é Domingo, 15 de Fevereiro de 2026.
Funcionário publica por engano vídeos curtindo show no perfil oficial da empresa, gerando repercussão nas redes (Foto: Reprodução)
Por: Editorial | 12/02/2026 13:18
Mesmo antes do início oficial do Carnaval, o clima de festa já altera a rotina nas cidades brasileiras. Grupos organizam blocos, viagens e fantasias, enquanto muitos profissionais começam a ajustar compromissos e horários. Em meio à empolgação, uma dúvida recorrente ressurge: até que ponto é possível aproveitar a folia sem comprometer a carreira?
Um episódio ocorrido em janeiro deste ano trouxe o tema novamente ao centro das discussões. Um vendedor de uma concessionária publicou, por engano, vídeos em que aparecia se divertindo em um show no perfil oficial da empresa, e não em sua conta pessoal. Nas imagens, ele segurava um copo de bebida e demonstrava estar bastante animado. O conteúdo rapidamente viralizou, gerou alto engajamento e foi tratado com bom humor pela própria empresa, que repercutiu o caso em suas redes.
Apesar do desfecho leve, a situação evidenciou como a linha entre vida pessoal e imagem profissional pode ser ultrapassada em poucos segundos. Na era digital, comportamentos fora do ambiente de trabalho deixaram de ser restritos à esfera privada e passaram a influenciar a percepção de colegas, gestores e organizações.
Um especialista em gestão corporativa avalia que as redes sociais ampliaram significativamente a visibilidade das atitudes individuais. Segundo ele, mesmo ações realizadas fora do expediente podem ser registradas, compartilhadas e ganhar grandes proporções rapidamente. Além disso, conteúdos podem ser interpretados fora de contexto, gerando ruídos e consequências difíceis de reverter. Ele destaca que muitos profissionais ainda subestimam o impacto de comportamentos aparentemente triviais, que acabam comunicando valores, posicionamentos e grau de maturidade, podendo entrar em conflito com a cultura da empresa.
A reputação profissional, no entanto, não se constrói apenas no ambiente digital. Faltas injustificadas, atrasos recorrentes, comparecer ao trabalho com ressaca, fazer comentários inadequados ou adotar comportamentos considerados impróprios em espaços públicos também podem comprometer a credibilidade de um colaborador. Em situações mais graves, como a apresentação de atestado médico falso, as consequências podem incluir demissão por justa causa e implicações legais.
Uma representante da área de recursos humanos afirma que a discussão não deve ser pautada pela proibição do lazer, mas pelo equilíbrio e pelo bom senso. O objetivo é permitir que as pessoas aproveitem a festa com tranquilidade, sem colocar a carreira em risco. Segundo ela, o que pesa na avaliação de um profissional não é um episódio isolado, mas o conjunto de comportamentos ao longo do tempo.
Responsabilidade, compromisso e ética continuam sendo pilares fundamentais da reputação. Uma postagem inadequada pode gerar desconforto momentâneo, mas tende a ser superada quando o profissional possui um histórico consistente. Já um padrão de atrasos, baixa produtividade e indisciplina corrói a confiança e reduz oportunidades de crescimento.
As empresas adotam uma avaliação cada vez mais ampla do comportamento profissional, considerando tanto o ambiente online quanto o offline. Ainda assim, existem limites legais e éticos: a vida privada é protegida por lei. O que pode gerar consequências são condutas que ferem valores organizacionais, quebram códigos de ética ou expõem a marca a riscos.
Nesse contexto, a incoerência costuma ser mais prejudicial do que a própria diversão. Alegar doença para faltar ao trabalho e publicar fotos em um bloco carnavalesco, por exemplo, configura quebra de confiança. O problema não é a festa, mas a contradição entre discurso e prática.
A estratégia de bloquear gestores e colegas nas redes sociais também não garante proteção. Mesmo perfis fechados podem ter conteúdos compartilhados por terceiros, ampliando a exposição. Uma imagem associada a excessos pode levantar questionamentos sobre o discernimento do profissional, especialmente em cargos de liderança ou alta visibilidade.
Como orientação prática, especialistas sugerem uma reflexão antes de qualquer postagem ou atitude: se gestores, colegas ou clientes vissem aquele conteúdo, haveria desconforto? A ação fortalece ou enfraquece a reputação construída ao longo do tempo? Diante da dúvida, o mais prudente é repensar. No ambiente atual, toda atitude comunica algo, dentro ou fora das redes sociais. Com informações: g1
