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Agência do Banco do Brasil em São Paulo; instituição registrou calote bilionário no quarto trimestre de 2025 (Foto: Marcelo Brandt/G1)
Por: Editorial | 12/02/2026 15:18
Título:
Banco do Brasil registra calote de R$ 3,6 bilhões e vê inadimplência subir no 4º trimestre
Subtítulo:
Caso envolvendo empresa do setor atacadista elevou índice de atrasos acima de 90 dias para 5,17% no fim de 2025
Matéria:
O Banco do Brasil informou que registrou um calote de R$ 3,6 bilhões por parte de uma empresa do segmento atacadista no quarto trimestre de 2025. O impacto levou o índice de inadimplência acima de 90 dias a subir para 5,17% no período.
Sem o efeito desse caso específico, a taxa teria ficado em 4,88%, segundo o banco. No terceiro trimestre, o indicador estava em 4,51%, e, um ano antes, em 3,16%. O índice de inadimplência acima de 90 dias mede a parcela das operações de crédito com atraso superior a três meses e é considerado um termômetro da qualidade da carteira de crédito das instituições financeiras.
De acordo com o balanço, o aumento está relacionado a um caso pontual na carteira de Títulos e Valores Mobiliários, vinculado a uma companhia do setor atacadista — cujo nome não foi divulgado.
Lucro cai 45,4% em 2025
No acumulado de 2025, o Banco do Brasil registrou lucro líquido de R$ 20,7 bilhões, queda de 45,4% em relação a 2024. O resultado ficou dentro da faixa projetada mais recentemente pela instituição, entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões.
No quarto trimestre, o lucro líquido ajustado foi de R$ 5,7 bilhões — recuo de 40,1% na comparação anual, mas alta de 51,7% frente ao terceiro trimestre, superando as projeções do mercado.
Ao longo do ano, a presidente-executiva Tarciana Medeiros afirmou que 2025 seria um período de ajustes, após o banco ser impactado pelo aumento da inadimplência, especialmente no agronegócio, além da adoção de novas regras contábeis.
Projeções para 2026
Para 2026, o Banco do Brasil projeta lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. A expectativa é de expansão da carteira de crédito entre 0,5% e 4,5%, com crescimento mais forte na pessoa física (entre 6% e 10%). Para empresas, a estimativa varia de retração de 3% a alta de 1%, enquanto o agronegócio pode oscilar entre queda de 2% e avanço de 2%.
O custo do crédito deve ficar entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões no ano. A instituição também prevê aumento nas receitas de serviços e na margem financeira bruta.
Carteira e indicadores
Ao fim de dezembro, a carteira de crédito expandida somava quase R$ 1,3 trilhão, com crescimento de 2,5% em 12 meses. A inadimplência na pessoa física chegou a 6,56%, enquanto entre empresas foi de 3,75%. No agronegócio, o índice subiu para 6,09%.
O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) foi de 12,4% no quarto trimestre, acima do trimestre anterior, mas abaixo dos principais concorrentes privados. O índice de Basileia encerrou o período em 15,13%, indicando nível confortável de capitalização.
O banco anunciou ainda a distribuição de R$ 1,2 bilhão em juros sobre capital próprio (JCP) complementar aos acionistas. Com informações: g1
