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Mulheres chefes de família recebem o Bolsa Família e administram os recursos, mostrando que a transferência de renda não desestimula a participação feminina no mercado de trabalho. (Foto: Lyon Santos / MDS)
Por: Editorial | 13/02/2026 09:28
Título:
Bolsa Família não reduz participação feminina no mercado de trabalho, indica estudo do FMI
Subtítulo:
Pesquisa aponta que programas de transferência de renda não desestimulam mulheres, mas desigualdade de cuidados e salários ainda limita inserção no trabalho
Matéria:
Um estudo recente do Fundo Monetário Internacional (FMI) trouxe novas evidências sobre os efeitos do Bolsa Família na participação das mulheres na força de trabalho. Os dados indicam que o programa de transferência de renda não reduz sistematicamente a presença feminina no mercado, desmentindo preocupações de que o benefício desestimularia a entrada de mulheres no emprego formal.
No Brasil, a prioridade do programa é atender mulheres chefes de família. Em fevereiro de 2026, das 18,84 milhões de famílias atendidas, cerca de 15,9 milhões (84,38%) eram chefiadas por mulheres, responsáveis pelo gerenciamento dos recursos recebidos.
Para avaliar os impactos, o FMI analisou informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-Contínua), do IBGE. O levantamento aponta que ampliar a participação feminina na força de trabalho pode impulsionar o crescimento econômico: se a diferença de participação entre homens e mulheres cair de 20 para 10 pontos percentuais até 2033, o crescimento anual do país poderia subir cerca de 0,5 ponto percentual.
A pesquisa destaca, entretanto, que a sobrecarga de cuidados não remunerados continua sendo um fator limitante. Um levantamento do MDS em parceria com a OIT, divulgado em 2025, revelou que mulheres dedicam em média 9,8 horas semanais a mais que homens em tarefas domésticas e de cuidado, chegando a 22,4 horas entre mulheres negras. Cerca de metade das mulheres sai do mercado de trabalho até dois anos após o nascimento do primeiro filho.
Outro estudo, do Ipea, analisou o efeito do aumento do valor do Bolsa Família desde 2023 e constatou que a elevação do benefício não levou à migração de trabalhadores do emprego formal para o informal. Entre os entrevistados, 34,4% apontaram que a principal razão para deixar o trabalho foi cuidar da família.
Além disso, o FMI chama atenção para a desigualdade salarial, em que mulheres recebem em média 22% menos que homens, mesmo considerando escolaridade, idade, raça, setor e cargo. Essa diferença pode levar muitas mulheres a optarem por permanecer em casa.
Como soluções, o estudo sugere políticas integradas, incluindo ampliação do acesso a creches e serviços de cuidado a idosos, revisão de licenças parentais e fortalecimento da Lei da Igualdade Salarial, criando um ambiente mais favorável à inserção feminina e ao crescimento econômico do país. Com informações: Bacci Notícias
