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Empreendedores analisam impactos do fim da escala 6×1 em pequenos negócios; pesquisa do Sebrae indica que maioria acredita em efeitos positivos ou neutros (Foto: Reprodução/Sebrae).
Por: Editorial | 23/02/2026 14:28
O debate sobre a extinção da escala de trabalho 6×1 tem ganhado força nos últimos meses, especialmente após o governo federal se manifestar favoravelmente à mudança. A escala 6×1 permite que trabalhadores cumpram seis dias consecutivos de trabalho com apenas um dia de descanso. A proposta é objeto de quatro projetos em tramitação no Congresso Nacional e não encontra resistência significativa entre a maioria dos pequenos empresários.
Segundo a 9ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae entre novembro e dezembro de 2024, 47% dos donos de micro e pequenas empresas, além de microempreendedores individuais, afirmam que a medida não terá impacto sobre seus negócios. Apenas 32% dos entrevistados consideram que a mudança poderá prejudicar suas atividades. Entre os setores que apontam menor risco estão academias, logística, beleza, agronegócio e economia criativa.
Para o presidente do Sebrae, Décio Lima, a medida representa uma oportunidade de melhorar a qualidade de vida da população e gerar efeitos positivos para os pequenos negócios. “O Sebrae está ao lado do povo brasileiro, para que as pessoas tenham mais dignidade, tranquilidade e condições de vida que permitam produzir mais e melhor. Acreditamos que o fim da escala 6×1 pode proporcionar aumento da oferta de emprego e avanços em produtividade”, afirmou.
Estudos do Instituto de Pesquisa e Estatística Aplicada (Ipea) indicam que a transição para uma jornada reduzida pode ser absorvida sem grandes impactos pela maior parte da economia, embora empresas muito pequenas, com até nove trabalhadores, possam enfrentar dificuldades na reorganização de escalas e aumento de custos.
Para minimizar riscos e garantir uma transição justa, o governo e o Congresso discutem políticas específicas, incluindo incentivos fiscais, linhas de crédito facilitadas, programas de capacitação e consultorias para reorganização das atividades e adoção de novas tecnologias. A proposta prevê que, inicialmente, apenas micro, pequenas e médias empresas sejam beneficiadas, já que muitas grandes empresas já operam com jornadas de cinco dias trabalhados e dois de descanso.
“Em vez de focar apenas na compensação de horas, as empresas devem investir em tecnologias e métodos que aumentem a produtividade, transformando o desafio em oportunidade de inovação”, acrescentou Décio Lima.
A medida também conta com ampla aprovação da população. Pesquisa do Instituto Nexus mostrou que 73% dos brasileiros apoiam a extinção da escala 6×1, desde que não haja redução salarial. Com informações: Agência Sebrae
