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Especialistas alertam que avaliação médica e eletrocardiograma são fundamentais para prevenir casos de morte súbita em jovens (Foto: Reprodução/Freepik)
Por: Editorial | 25/02/2026 15:02
O aumento de relatos envolvendo jovens atletas e pessoas aparentemente saudáveis vítimas de mal súbito tem gerado preocupação. Para esclarecer o tema, o cardiologista Eugênio Moraes, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e integrante do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, explica que o termo popular nem sempre corresponde ao conceito médico.
Segundo o especialista, mal súbito é uma expressão genérica. Na prática clínica, o que ocorre na maioria dos casos é a chamada morte súbita, caracterizada como morte natural e inesperada, geralmente de provável causa cardíaca, que acontece até uma hora após o início dos sintomas ou em até 24 horas quando não há testemunhas.
Embora as causas cardíacas sejam predominantes em jovens aparentemente saudáveis, outras condições também podem levar ao desfecho, como dissecção de aorta, tromboembolismo pulmonar, acidente vascular cerebral hemorrágico, epilepsia, traumas e anafilaxia. Ainda assim, doenças genéticas e alterações elétricas do coração estão entre os fatores mais frequentes nessa faixa etária.
Em relação à percepção de aumento dos casos em 2026, o médico pondera que não há evidência epidemiológica robusta que comprove crescimento significativo. Estudos internacionais indicam que a incidência anual de morte súbita em jovens atletas permanece relativamente estável nas últimas décadas, variando entre um e três casos a cada 100 mil atletas por ano. A sensação de crescimento pode estar associada à maior exposição midiática, ao aumento da participação em atividades esportivas e à evolução dos métodos diagnósticos pós-morte, que atualmente incluem testes moleculares capazes de identificar doenças antes não detectadas.
Entre os fatores de risco, o especialista destaca a miocardite pós-viral, inflamação do músculo cardíaco que pode evoluir de forma silenciosa, além do uso indevido de anabolizantes e estimulantes ilícitos, que aumentam o risco de arritmias graves e alteram o equilíbrio hidroeletrolítico do organismo.
A cardiomiopatia hipertrófica é apontada como uma das principais causas em jovens. A doença pode ser silenciosa e apresentar poucos sintomas iniciais. Sinais de alerta incluem desmaio durante esforço físico, tontura frequente nos treinos, dor torácica desproporcional, falta de ar inesperada e palpitações acompanhadas de mal-estar. Episódios de perda de consciência durante atividade física são considerados indicativo de investigação imediata.
O especialista também ressalta a importância de diferenciar palpitações relacionadas à ansiedade de arritmias genéticas graves. Enquanto quadros ansiosos costumam ter início gradual e podem melhorar com distração, arritmias genéticas tendem a surgir de forma abrupta, podendo ocorrer inclusive em repouso ou durante o sono. Um exemplo é a Síndrome de Brugada, que pode desencadear fibrilação ventricular e comprometer a circulação sanguínea.
Nos casos que ocorrem em repouso, as canalopatias, doenças genéticas que afetam os canais elétricos das células cardíacas, estão entre as principais causas. Nessas situações, o coração pode entrar em arritmias graves que impedem a contração eficaz do músculo cardíaco.
O eletrocardiograma é apontado como ferramenta essencial de triagem. Exame simples e de baixo custo, o ECG pode identificar alterações compatíveis com síndromes genéticas, cardiomiopatias e outras condições associadas ao risco de morte súbita. Para quem pratica atividade física regular ou pretende ingressar em atividades competitivas, a avaliação médica prévia é considerada fundamental.
O histórico familiar também é determinante. Casos de morte súbita antes dos 50 anos, infartos inexplicados, afogamentos sem causa clara e episódios de convulsão sem lesão cerebral estrutural devem motivar investigação cardiológica em familiares de primeiro grau.
De acordo com o especialista, não há evidência de uma nova epidemia, mas a prevenção continua sendo essencial. Consulta médica, anamnese detalhada, exame físico e eletrocardiograma constituem os primeiros passos para reduzir riscos e identificar precocemente alterações potencialmente graves. Com informações: Bacci Notícias
