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Rota estratégica do petróleo fica sob ameaça com tensão no Oriente Médio


Escalada militar pressiona preços da energia e eleva risco de impacto na inflação global.
Vista aérea do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. (Foto: Reuters) Por: Editorial | 02/03/2026 13:59

Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último fim de semana resultaram no fechamento do Estreito de Ormuz, a mais importante rota marítima para o escoamento do petróleo do Oriente Médio.

A interrupção da navegação provocou reação imediata nos mercados internacionais. O petróleo chegou a subir cerca de 13% na abertura das negociações, superando US$ 82 por barril — o maior nível desde janeiro de 2025. Por volta das 10h (horário de Brasília), o Brent avançava 8,30%, cotado a US$ 78,92, enquanto o WTI subia 7,74%, a US$ 72,19.

Localizado entre Omã e Irã, o Estreito de Ormuz é responsável pela passagem de cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. A rota conecta os países produtores do Golfo Pérsico aos mercados da Ásia, Europa e Américas.

Rota estratégica desde a Antiguidade

Historicamente, a passagem já era utilizada como corredor comercial entre a antiga Pérsia, a Mesopotâmia e a Índia. Nos séculos XVI e XVII, potências europeias disputaram o controle da região para proteger suas rotas marítimas.

No século XX, com a descoberta de grandes reservas no Golfo Pérsico, o estreito se consolidou como eixo central do comércio global de energia. Durante a guerra entre Irã e Iraque (1980-1988), petroleiros foram atacados, o que levou os Estados Unidos a reforçarem a presença militar na área para escoltar embarcações.

Desde então, o local é considerado um dos pontos mais sensíveis da geopolítica mundial. O Irã já ameaçou bloqueá-lo em momentos de tensão, mas nunca manteve o fechamento por longos períodos.

Impacto direto na energia

Entre 2022 e maio deste ano, circularam diariamente pelo estreito entre 17,8 milhões e 20,8 milhões de barris de petróleo e derivados, segundo dados da plataforma Vortexa. Países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) — como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque — utilizam a rota para exportar a maior parte de sua produção.

O Catar, um dos maiores exportadores mundiais de gás natural liquefeito, envia praticamente toda sua produção pelo Estreito de Ormuz.

Com o agravamento do conflito, diversos países interromperam preventivamente operações no setor energético. O Catar suspendeu a produção de gás após instalação ser atingida por drones. A Arábia Saudita fechou temporariamente sua maior refinaria, em Ras Tanura. No Curdistão iraquiano, quase toda a produção foi paralisada. Já em Israel, campos marítimos como Leviatã e Tamar tiveram atividades suspensas por determinação do governo.

No Irã, explosões foram registradas próximas à ilha de Kharg, responsável por grande parte das exportações do país.

Risco para a economia global

Especialistas alertam que, caso o bloqueio persista, o impacto poderá ir além do setor de energia. A alta nos combustíveis tende a encarecer transportes, alimentos e produtos industrializados, elevando a inflação em diversas economias.

Analistas avaliam que, se o tráfego marítimo for normalizado rapidamente, os preços podem recuar parcialmente. No entanto, a permanência da crise aumenta o risco de o barril atingir novas máximas e de o gás natural repetir picos registrados em conflitos anteriores.

Governos e mercados acompanham de perto os desdobramentos, em meio à incerteza sobre a duração da interrupção e a possibilidade de novas escaladas militares na região. Com informações: g1.




Diário do Interior MS
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