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Água com gás e pressão arterial: desvendando o mito do “veneno efervescente”


Vídeo que circula nas redes sociais afirma que a bebida eleva a pressão e seria perigosa para hipertensos; especialistas esclarecem que o efeito é temporário e não representa risco crônico à saúde.
A água gaseificada possui H2O, CO2 e minerais como cálcio, potássio e sódio, mantendo a hidratação semelhante à da água natural (Foto: Freepik). Por: Editorial | 02/03/2026 16:39

Um vídeo que viralizou recentemente nas redes sociais sugere que a água com gás seria um “veneno”, capaz de aumentar a pressão arterial em até 10 mmHg imediatamente após o consumo, funcionando como um suposto recurso de primeiros socorros para desmaios. No entanto, especialistas consultados esclarecem que essas afirmações precisam ser contextualizadas.

“Em síntese, os estudos indicam que a ingestão de água com gás provoca uma resposta fisiológica imediata de elevação da pressão, mas não altera a pressão arterial de forma duradoura ou permanente”, afirma Érika Campana, presidente do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

O aumento da pressão arterial realmente ocorre, mas de maneira temporária. Qualquer ingestão de líquidos, seja água natural ou com gás, pode gerar elevação transitória da pressão sistólica devido ao reflexo de deglutição, que ativa o sistema nervoso simpático. No caso da água gaseificada, esse efeito pode ser ligeiramente mais intenso devido a três fatores:

  1. Carbonatação: O desprendimento de CO2 na boca e na orofaringe estimula o sistema simpático.

  2. Estímulo sensorial: As bolhas provocam leve irritação do nervo trigêmeo, gerando vasoconstrição periférica e aumento temporário da pressão.

  3. Temperatura: A ingestão de água gelada (aproximadamente 4 °C) amplifica o efeito, seja água natural ou com gás.

Apesar disso, o aumento da pressão arterial é breve, retornando aos níveis normais em poucos minutos. “Picos de 10 mmHg podem ocorrer por estresse ou atividade física. O essencial é a média da pressão ao longo do dia”, explica Ricardo Kazunori, cirurgião cardíaco do Hospital Beneficência Portuguesa.

A água gaseificada mantém as propriedades de hidratação da água comum, sendo composta por H2O, CO2 e minerais como cálcio, potássio e sódio.

Em relação ao consumo por hipertensos, não há evidências consistentes que contraindiquem a ingestão de água com gás. Embora haja resposta fisiológica imediata, não há alteração crônica da pressão arterial. A recomendação de especialistas é que pacientes hipertensos consumam com cautela, considerando que picos súbitos poderiam, em teoria, aumentar o risco cardiovascular.

Quanto ao termo “água morta”, ele não é reconhecido pela medicina. “Apesar de eventualmente ser usado por algum profissional, não existe base científica que sustente essa nomenclatura”, esclarece Érika Campana.

A pressão arterial oscila naturalmente ao longo do dia, e variações de 10 mmHg podem ocorrer em situações de estresse ou esforço físico. O mais importante é acompanhar o comportamento da pressão de forma contínua, sempre em condições de repouso, para uma interpretação adequada. Com informações: g1




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