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Agricultor contrai empréstimo para buscar água e encontra substância semelhante a petróleo no interior do Ceará


Líquido escuro foi identificado em propriedade rural de Tabuleiro do Norte; ANP informou que vai apurar o caso após notificação.
Substância escura encontrada durante perfuração de poço em propriedade rural de Tabuleiro do Norte, no Ceará (Foto: Divulgação). Por: Editorial | 04/03/2026 15:47

O agricultor Sidrônio Moreira recorreu a um empréstimo de R$ 15 mil para perfurar o solo em busca de água em sua propriedade rural, localizada no município de Tabuleiro do Norte, no Ceará. No entanto, em vez de encontrar recurso hídrico, a família se deparou com um líquido escuro e viscoso que, após análises preliminares, apresentou características semelhantes às do petróleo. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis informou que vai investigar a ocorrência.

A residência da família, situada na localidade de Sítio Santo Estevão, a aproximadamente 35 quilômetros da sede do município, não possui abastecimento de água encanada. Durante parte do ano, o fornecimento depende da compra de carregamentos por meio de caminhões-pipa, o que motivou a decisão de investir na perfuração de um poço artesiano.

A perfuração inicial atingiu cerca de 40 metros de profundidade. Durante o procedimento, um líquido escuro emergiu do solo, gerando expectativa de que fosse água. No entanto, após a interrupção dos trabalhos, não houve vazão hídrica. Diante da frustração, a família ainda tentou perfurar um segundo poço, com aproximadamente 20 metros de profundidade, mas novamente não obteve sucesso.

(Foto: Divulgação).

Semanas depois, ao retornar ao primeiro ponto perfurado, os proprietários identificaram a presença de um material com odor semelhante ao de óleo automotivo. Em busca de esclarecimentos técnicos, uma amostra foi encaminhada para análise por meio de apoio de instituição de ensino da região. O material passou por exames físico-químicos em laboratório especializado no Rio Grande do Norte.

Os testes indicaram que a substância apresenta características compatíveis com hidrocarbonetos encontrados em jazidas próximas à divisa entre Ceará e Rio Grande do Norte. Apesar disso, a confirmação oficial de que se trata de petróleo depende de análise realizada por laboratório credenciado pela Agência Nacional do Petróleo.

A área onde ocorreu a descoberta está situada a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza e integra a região do Vale do Jaguaribe, próxima à Bacia Potiguar, conhecida pela atividade petrolífera. Embora o município não esteja inserido formalmente em bloco de exploração ativo, a localidade fica a aproximadamente 11 quilômetros do bloco mais próximo.

A Agência Nacional do Petróleo confirmou que recebeu a notificação sobre o caso e informou que adotará providências para averiguar a situação, incluindo eventual comunicação ao órgão ambiental competente. Caso seja confirmada a existência de hidrocarboneto em volume e qualidade economicamente viáveis, caberá ao órgão regulador delimitar a área e avaliar os procedimentos legais para futura exploração, que depende de leilão e concessão a empresas especializadas.

Especialistas ressaltam que a identificação de substância semelhante ao petróleo não implica, automaticamente, viabilidade comercial. Fatores como volume disponível, qualidade do óleo, custos operacionais e impactos ambientais são determinantes para qualquer projeto de exploração.

Enquanto aguarda definição oficial, a família permanece com a necessidade de acesso à água. Além dos custos financeiros já assumidos, há preocupação quanto à possibilidade de contaminação do lençol freático caso novas perfurações sejam realizadas de maneira inadequada. Com informações: g1




Diário do Interior MS
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