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Japão aprova tratamento com células-tronco para Parkinson; terapia poderá ser oferecida ainda este ano


Medicamento substitui neurônios perdidos pela doença usando células reprogramadas em laboratório; tecnologia tem base em pesquisa vencedora do Nobel de 2012.
Paciente abre a mão durante cirurgia de Parkinson em Rondônia, ilustrando procedimentos clínicos relacionados à doença (Foto: Reprodução). Por: Editorial | 06/03/2026 07:32

O Japão aprovou um tratamento inovador para a doença de Parkinson, baseado no uso de células-tronco para substituir neurônios danificados no cérebro. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (6) e possibilita que a terapia seja oferecida a pacientes ainda em 2026.

O medicamento, chamado Amchepry, foi desenvolvido pela farmacêutica japonesa Sumitomo Pharma e consiste no transplante de células cultivadas em laboratório diretamente no cérebro do paciente. A aprovação concedida é condicional e por tempo limitado, permitindo o uso do tratamento enquanto novos estudos continuam avaliando sua eficácia e segurança em um número maior de pessoas.

Caso chegue ao mercado, Amchepry será o primeiro tratamento comercial do mundo baseado em células-tronco pluripotentes induzidas, conhecidas como células iPS.

Células “rejuvenescidas” em laboratório
As células iPS são obtidas a partir de células adultas do próprio paciente, como células da pele, que passam por reprogramação genética até retornarem a um estado semelhante ao de células embrionárias. A partir daí, elas podem ser transformadas em diferentes tipos celulares do corpo.

Essa tecnologia foi desenvolvida pelo cientista japonês Shinya Yamanaka, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina em 2012. No novo tratamento, as células iPS são diferenciadas em neurônios produtores de dopamina, substância essencial para o controle dos movimentos, que é progressivamente perdida em pacientes com Parkinson.

Funcionamento do tratamento
Em testes clínicos conduzidos pela Universidade de Kyoto, células derivadas de iPS foram transplantadas no cérebro de sete voluntários, com idades entre 50 e 69 anos. Cada paciente recebeu entre cinco e dez milhões de células em cada hemisfério cerebral.

As células utilizadas foram obtidas de doadores saudáveis e cultivadas em laboratório até se tornarem precursoras de neurônios dopaminérgicos. Os pesquisadores relataram que o procedimento demonstrou segurança e sinais de melhora nos sintomas dos participantes.

Outras terapias autorizadas
Além do tratamento para Parkinson, o Ministério da Saúde japonês também autorizou o ReHeart, desenvolvido pela startup Cuorips. A tecnologia utiliza lâminas de músculo cardíaco cultivadas em laboratório, aplicadas sobre o coração para estimular a formação de novos vasos sanguíneos e melhorar a função cardíaca em pacientes com insuficiência cardíaca grave.

Segundo o governo japonês, ambos os tratamentos devem começar a ser disponibilizados aos pacientes a partir de meados deste ano.

Impacto da doença
A doença de Parkinson é um transtorno neurológico crônico e degenerativo que afeta principalmente o sistema motor. Estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas convivam com a doença no mundo, segundo a Parkinson’s Foundation. Apesar da existência de medicamentos que aliviam os sintomas, não há cura nem tratamentos capazes de restaurar completamente os neurônios perdidos, razão pela qual terapias regenerativas como esta vêm sendo estudadas com grande interesse. Com informações: g1




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